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O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Black Friday deve vender 20% mais na internet, com cada pedido 13% menor

Todo ano é a mesma manchete: a Black Friday vai bater recorde. E vai mesmo. A projeção da Confi diz que o comércio online fatura 20,7% mais nos quatro dias de novembro. O que não vai para a manchete é a linha de baixo: de janeiro a setembro, o pedido médio caiu 13,4%. O brasileiro está comprando mais vezes e gastando menos em cada compra, e a loja paga frete, taxa e embalagem por pedido, não por real vendido. Recorde de faturamento com margem encolhendo é o esporte nacional do varejo, e eu prefiro que você assista da arquibancada com a calculadora na mão. No resto do dia: terça vence o DAS e o INSS da folha, a Câmara aprovou o teto de R$ 140 mil para o MEI (falta o Senado) e a nota de serviço do Simples muda de endereço em 15 dias. Nos Bastidores, três aulas de caixa: uma marca de óculos que ganhou dez dias para não estourar com os credores, uma financeira que prometia 3,5% ao mês e teve a falência decretada, e uma locadora que faturou quase o mesmo e lucrou o dobro.

VarejoFique de olho

Black Friday deve movimentar R$ 13,3 bilhões no comércio eletrônico, alta de 20,7%, enquanto o tíquete médio caiu 13,4% no ano

Segundo projeção da Confi, em parceria com o E-Commerce Brasil, divulgada em 13 de outubro de 2026, o comércio eletrônico brasileiro deve faturar R$ 13,3 bilhões entre 26 e 29 de novembro de 2026, alta de 20,7% sobre o mesmo período de 2025, quando faturou R$ 11 bilhões. A expectativa é de 69,4 milhões de produtos vendidos, alta de 15,4%. Eletrodomésticos devem liderar, com R$ 2,12 bilhões. O 11/11 deve somar R$ 3,17 bilhões. De 1º de janeiro a 30 de setembro de 2026, segundo os dados da Neotrust/Confi, os pedidos subiram 34,9%, mas o tíquete médio caiu 13,4%, de R$ 309,70 para R$ 268,20.

Pedido 35% maior em quantidade e 13% menor em valor quer dizer uma coisa: mais caixas, mais etiquetas, mais fretes e mais taxa fixa por venda, para levar menos dinheiro em cada uma. Quem vende pelo marketplace sente isso primeiro, porque a comissão vem em cima do preço já cortado. Desconto de Black Friday não é custo de marketing: sai inteiro da sua margem. Se o seu lucro é de 20% e você dá 30% de desconto, você não está vendendo barato, está pagando para o cliente levar.

O que fazer

Antes de definir o desconto: pegue os 10 produtos que você quer pôr na Black Friday, some custo, frete, taxa do cartão ou do marketplace e embalagem, e só anuncie o percentual que ainda deixa lucro. O que não deixar, fica fora da promoção.

Fonte: Meio & Mensagem (projeção Confi e E-Commerce Brasil) · Como precificar produtos e serviços

PrazosTem prazo

Terça, 20 de outubro, vencem o DAS do Simples Nacional, a contribuição previdenciária da folha e o FGTS de setembro

Pela Agenda Tributária da Receita Federal de outubro de 2026 (Ato Declaratório Executivo Corat nº 78, de 28 de setembro de 2026), vencem em 20 de outubro o Simples Nacional (DAS, competência setembro de 2026), o Simples Doméstico (DAE), a contribuição previdenciária das empresas sobre a folha, inclusive do MEI com empregado (código 1138), a contribuição descontada dos empregados e o IRRF sobre salários. O PGDAS-D de setembro também deve ser transmitido até essa data. O FGTS mensal, recolhido pelo FGTS Digital, vence no dia 20 do mês seguinte à competência, segundo a Lei 14.438/2022.

Não tem prorrogação, não tem feriado no meio e não tem perdão: dia 20 é terça e é útil. Atraso no DAS custa multa e juro todo dia, e a guia atrasada ainda pode travar a certidão quando você mais precisar dela. É a conta mais chata do mês e a mais fácil de não errar.

O que fazer

Até segunda: confirme com o contador que o PGDAS-D de setembro foi transmitido, pegue as guias de DAS, INSS e FGTS e deixe o pagamento agendado para terça, 20.

Fontes: Receita Federal (Agenda Tributária, 20/10/2026), Jornal Contábil (FGTS Digital)

MEIFique de olho

Câmara aprova teto do MEI de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, com até dois empregados e perdão das dívidas na União; texto vai ao Senado

A Câmara dos Deputados aprovou em 14 de outubro de 2026, por 461 votos a 4, o substitutivo do deputado Rubens Pereira Júnior aos projetos de lei complementar 186/2026 e 267/2026, do Executivo. O limite anual de faturamento do MEI, de R$ 81 mil desde 2016, passa a R$ 110 mil em 2027 e a R$ 140 mil em 2028. O MEI poderá contratar até dois empregados, em vez de um, recebendo um salário mínimo ou o piso da categoria, nas atividades de industrialização, comércio e serviços rurais. O texto também perdoa as dívidas de MEI inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, desde que o MEI pague em dia as contribuições dos seis meses seguintes à vigência da lei e desista de ações judiciais. O projeto segue para o Senado.

O teto de R$ 81 mil estava congelado havia dez anos, enquanto o aluguel, a matéria-prima e o salário mínimo subiam todo janeiro. Quem passava do limite era empurrado para um regime mais caro sem ter ficado mais rico, só porque a inflação fez o serviço. Corrigir isso não é favor, é acertar uma conta atrasada. Agora, ainda é projeto: falta o Senado, e quem desenquadrar ou contratar contando com a lei antes de ela existir vai pagar a conta da pressa.

O que fazer

Se você é MEI perto do limite: não mude nada ainda. Acompanhe o Senado e, enquanto isso, separe o faturamento mês a mês de 2026 para saber se o R$ 110 mil de 2027 resolve o seu caso.

Fonte: Agência Câmara de Notícias · Novo limite do MEI: o que está em discussão

Nota fiscalFique de olho

Faltam 15 dias: a partir de 1º de novembro, ME e EPP do Simples Nacional emitem a nota de serviço só pelo Emissor Nacional

Pela Resolução CGSN nº 191, de 4 de agosto de 2026, microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional que prestam serviços sujeitos à NFS-e passam a emitir a nota pelo Emissor Nacional, na versão web, no aplicativo ou por integração via API, a partir de 1º de novembro de 2026. Até 31 de outubro, a emissão continua nos sistemas das prefeituras. Reportagem da Agência Brasil de 15 de outubro de 2026 confirmou a data, sem nova prorrogação. O destaque de IBS e CBS na nota dos optantes do Simples passa a valer em 1º de janeiro de 2027.

Já adiaram uma vez, de setembro para novembro, e quem deixou para depois ganhou dois meses e gastou os dois. Nota que não sai é serviço que não se cobra: o cliente empresa não paga sem nota. Testar agora, num dia calmo, custa meia hora. Descobrir no dia 3 de novembro, com o cliente esperando, custa a semana.

O que fazer

Esta semana: entre no Emissor Nacional com o certificado ou a conta gov.br da empresa e emita uma nota de teste. Se você usa sistema de gestão, pergunte ao fornecedor se ele já emite pelo padrão nacional.

Fontes: Agência Brasil, Fenacon (Resolução CGSN 191/2026) · NFS-e pelo Emissor Nacional no Simples

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Chilli Beans deixa de pagar R$ 16,5 milhões e ganha até 26 de outubro para negociar R$ 89 milhões em debêntures

A Vert Companhia Securitizadora declarou em 30 de setembro de 2026 o vencimento antecipado das debêntures da Chilli Beans, depois que a empresa não pagou R$ 16,5 milhões em parcelas vencidas, o que permitia cobrar de uma vez o saldo de R$ 89 milhões, segundo o Economic News Brasil. Em assembleia de 2 de outubro, os credores suspenderam temporariamente essa cobrança e deram até 26 de outubro para a negociação dos atrasados, sem perdão nem renegociação definitiva. A dívida bruta da empresa era de R$ 290 milhões em 2024. Segundo o fundador, Caito Maia, parte das dívidas vem de empréstimos feitos na pandemia, cujo custo subiu depois.

Marca conhecida, loja em todo shopping, e o problema é o mesmo do mercadinho da esquina: empréstimo de emergência que virou dívida permanente. Na pandemia, pegar dinheiro para atravessar fazia sentido. O erro é não ter um plano para pagar quando o juro sobe, e o juro sempre sobe. Se você também pegou crédito naquela época e ainda está rolando, hoje é um bom dia para olhar a taxa e o saldo com calma, antes que alguém marque uma assembleia para você.

Fonte: Economic News Brasil

Dinheiro estranho

Justiça de São Paulo decreta a falência da AJX Capital, que vendia títulos com promessa de até 3,5% ao mês

A juíza Andrea Galhardo Palma, da 2ª Vara Regional Empresarial de São Paulo, decretou em 8 de outubro de 2026 a falência da AJX Capital, segundo o BP Money. A empresa vendia a pessoas físicas Cédulas de Crédito Bancário lastreadas em ações do extinto Besc, com promessa de até 3,5% ao mês. Segundo a reportagem, as cédulas apresentavam as ações por até R$ 250 milhões, enquanto a polícia as estimou em cerca de R$ 85 milhões, e havia 623 processos contra a empresa em São Paulo até agosto. Em nota, a AJX disse que buscará as medidas judiciais cabíveis.

Três e meio por cento ao mês dá mais de 50% ao ano. Nenhum negócio honesto paga isso para pegar dinheiro emprestado, porque nenhum negócio honesto rende isso para devolver. Toda vez que alguém promete ao dono pequeno um retorno que o próprio negócio dele nunca deu, a pergunta é uma só: de onde sai esse dinheiro? Se a resposta não cabe numa frase, o dinheiro da reserva da empresa fica onde está.

Fonte: BP Money

Crescendo na crise

Movida fatura 3,5% mais no trimestre e lucra 117% mais, e mesmo assim a ação cai 8% no dia

A locadora Movida informou em 13 de outubro de 2026, em prévia ainda não auditada, lucro líquido de R$ 152,1 milhões no terceiro trimestre, alta de 117% sobre o mesmo período de 2025 e o maior em quatro anos, acima da projeção da própria empresa. A receita bruta do grupo foi de R$ 4,18 bilhões, alta de 3,5%, e o Ebitda somou R$ 1,8 bilhão, alta de 21,4%. Segundo o BP Money, as ações recuaram 8,18% no dia, depois de subirem 122% no último mês.

Receita subiu 3,5%. Lucro subiu 117%. Ninguém dobra o lucro vendendo o dobro: dobra arrumando o que acontece entre a venda e o lucro (custo, juro, preço). É a tese inteira do EmpresaPro num balanço de locadora. E a queda da ação no mesmo dia é o bônus da lição: o mercado já tinha comemorado antes. Para o dono pequeno vale o contrário: ninguém aplaude a sua margem, mas é ela que paga as contas no fim do mês.

Fonte: BP Money