O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Data prorrogada: o Simples de 2027 vai até 15 de outubro

Data prorrogada: o pedido do Simples para 2027, que fecharia hoje, agora vai até 15 de outubro. A resolução saiu no Diário Oficial de segunda-feira, e a Receita só explicou os prazos novos na terça. Quem levou um não também ganhou tempo, mas com uma mudança na regra que ninguém está gritando. O que fecha hoje mesmo, às 19h, é a negociação da dívida ativa com a União com desconto, e essa, até agora, ninguém mexeu. O resto da edição é sobre o cliente que não paga: o calote das famílias chegou a 6%, o maior da série do Banco Central, no mesmo mês em que o país bateu recorde de gente trabalhando. Emprego tem, dinheiro no fim do mês não. E o aluguel de outubro vem com 3,34% de reajuste pelo IGP-M, que tinha passado três meses caindo e resolveu acordar justo agora.

SimplesTem prazo

Prazo para pedir o Simples de 2027 foi prorrogado para 15 de outubro, e o indeferido tem até 30 de outubro para corrigir

A Resolução CGSN nº 194, de 25 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 28 de setembro, prorrogou o prazo de opção pelo Simples Nacional para 2027 de 30 de setembro para 15 de outubro de 2026. Segundo a Receita Federal, quem teve o pedido indeferido tem até 30 de outubro de 2026 para regularizar as pendências, e esse prazo é único para todos, independentemente da data em que a empresa tomou ciência do indeferimento. A empresa que já é do Simples e quer recolher o IBS e a CBS pelo regime regular tem até 30 de outubro. A desistência ou o cancelamento podem ser feitos de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026. O MEI não entra nesse prazo: a opção pelo Simei continua em janeiro.

Prorrogação em cima da hora é o jeito brasileiro de dar prazo: sai no Diário Oficial de segunda, a explicação vem na terça e o dono descobre na quarta, se descobrir. Quem deixou para o último dia ganhou duas semanas. Mas repare numa mudança que ninguém está gritando: antes, o indeferido tinha 30 dias contados da ciência. Agora é uma data só, 30 de outubro, para todo mundo. Quem levou o não em setembro ganhou tempo. Quem pedir no dia 15 e levar o não vai ter duas semanas.

O que fazer

Se ainda não pediu e quer o Simples em 2027, não espere o dia 15: peça esta semana, porque um indeferimento perto do fim deixa pouco tempo para corrigir até 30 de outubro. Se já pediu, confira no Portal do Simples Nacional se saiu deferido. Se saiu indeferido, leia o motivo no termo e resolva a pendência antes de 30 de outubro.

Fontes: Receita Federal, Contábeis · Simples Nacional: como funciona e quem pode entrar

Nota fiscalFique de olho

Nota de devolução passa a exigir a chave da nota original item por item em 5 de outubro

Pela Nota Técnica 2025.002-RTC da NF-e, a partir de 5 de outubro de 2026 a nota fiscal de devolução precisa informar, em cada item, a chave de acesso do documento original, pelo grupo DFeReferenciado. A referência só no cabeçalho da nota deixa de ser aceita e a nota passa a ser rejeitada pela Sefaz. A data já tinha sido adiada de 1º de setembro para 5 de outubro. Segundo documentação técnica de emissores, a exigência vale nesta etapa para empresas do regime normal (lucro presumido ou real); para o Simples Nacional, a obrigatoriedade do grupo de IBS e CBS ficou para data futura. Separadamente, o Ajuste SINIEF nº 29/2026 adiou para 14 de dezembro a proibição de emitir NF-e referenciando uma NFC-e.

Devolução já é o pior momento da venda: você perdeu a venda e ainda tem trabalho. Agora ela ganhou mais um jeito de dar errado. A nota recusada não é multa, é pior: é a mercadoria parada no caminhão, o cliente esperando o crédito e o seu funcionário ligando para o suporte do sistema numa segunda-feira. E a regra mudou de data duas vezes, o que garante que metade dos sistemas vai descobrir no dia.

O que fazer

Se a sua empresa é do lucro presumido ou real e emite nota de devolução, pergunte hoje ao fornecedor do sistema se ele já referencia a nota original por item. Na primeira devolução depois do dia 5, confira se a nota foi autorizada antes de liberar a mercadoria. Se é do Simples, confirme com o contador se a sua operação entra.

Fontes: Senior (NT 2025.002-RTC), NFE.io, Contábeis (Ajuste SINIEF 29/2026)

InadimplênciaFique de olho

Calote das famílias chega a 6% em agosto, o maior da série do Banco Central

Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, divulgadas em 29 de setembro de 2026, a inadimplência da carteira total de crédito chegou a 5,0% em agosto, alta de 0,1 ponto no mês e de 0,9 ponto em 12 meses, o maior nível da série iniciada em 2011. Entre as pessoas físicas, o índice foi a 6%, também recorde; entre as empresas, ficou estável em 3,3%. A taxa média de juros das novas concessões subiu para 32,3% ao ano, enquanto a do crédito livre para empresas caiu para 24,2% ao ano. No mesmo dia, o IBGE informou desemprego de 5,3% no trimestre até agosto e recorde de 103,5 milhões de pessoas ocupadas.

Recorde de gente empregada e recorde de gente sem pagar a conta, no mesmo mês. Não é contradição, é a conta de juro chegando: o salário entra e já sai para o banco. Para você, isso tem nome e endereço: é o cliente que pede para pagar semana que vem, o cheque que volta, o fiado que vira eterno. Seis por cento das dívidas das famílias estão atrasadas. Se o seu crediário está melhor que isso, parabéns. Se você nem sabe quanto do seu crediário está atrasado, esse é o problema.

O que fazer

Puxe hoje a lista de quem te deve e separe por atraso: até 30 dias, de 30 a 90 e mais de 90. Para os novos, reduza o prazo ou o limite de quem já atrasou uma vez. Para os antigos, ofereça acordo antes do fim do mês, quando o salário ainda está na conta.

Fontes: Poder360 (Banco Central), O Hoje (IBGE e Banco Central) · Cliente inadimplente: como cobrar sem perder o cliente

AluguelFique de olho

IGP-M sobe 1,57% em setembro, e o aluguel com aniversário em outubro reajusta 3,34%

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da FGV Ibre, subiu 1,57% em setembro de 2026, depois de cair 0,22% em agosto. No ano, acumula 3,45%, e em 12 meses, 3,34%, que é o percentual usado nos contratos de aluguel reajustados pelo índice com aniversário em outubro. Segundo a FGV, a alta veio de matérias-primas como soja, milho e carne bovina (3,61%), dos preços ao produtor (2,08%) e dos preços ao consumidor (0,50%), estes em parte pelo fim do efeito do bônus de Itaipu na conta de luz.

O IGP-M passou três meses caindo, e o dono que tem contrato com aniversário em outubro já estava contando com reajuste perto de zero. Acordou com 1,57% num mês só. O detalhe que importa para quem vende comida: a pressão veio de soja, milho e carne, que é custo de restaurante, lanchonete e padaria antes de ser aluguel de ninguém. Quem tem as duas coisas leva duas contas.

O que fazer

Pegue o contrato de aluguel do ponto e veja o índice e o mês de aniversário. Se é IGP-M em outubro, o reajuste máximo é 3,34%: não aceite número maior. Se o contrato vence logo, use a volatilidade do índice para negociar a troca pelo IPCA.

Fonte: FGV Ibre · Capital de giro: quanto a sua empresa precisa

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Dinheiro estranho

Empresa perde R$ 58 mil no golpe do falso leilão, e a Justiça diz que a culpa é dela

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre negou, por unanimidade, o recurso de uma empresa de importação e exportação que perdeu R$ 58.130 ao comprar um veículo em um leilão falso anunciado na internet. O pagamento foi feito por transferência para uma conta aberta em nome de terceiro no Bradesco. A empresa processou a Meta, o banco e a leiloeira que teve o nome usado pelos golpistas. Segundo a decisão, publicada em 21 de setembro de 2026, a responsabilidade foi exclusiva da vítima e dos criminosos: a empresa não conferiu o registro do leiloeiro na Junta Comercial, não confirmou quem era o dono da conta nem checou o site.

Duro de ler, mas vale o recorte: a Justiça não considera empresa como consumidor desprotegido. Pessoa física que cai em golpe às vezes consegue o dinheiro de volta do banco; CNPJ que paga sem conferir, em regra, fica com o prejuízo. Quem faz compra grande fora do fornecedor de sempre precisa de uma regra simples, escrita e que valha até para o dono: o nome na conta tem que ser o nome de quem vende. Se não for, não paga. Dez minutos de conferência teriam custado menos que R$ 58 mil e dois anos de processo.

Fonte: ac24horas

Afundando

Trem privado da Flórida pede recuperação com US$ 4,4 bilhões em dívida, e o trem continua rodando

A holding da Brightline, única ferrovia privada de passageiros dos Estados Unidos, que liga Miami a Orlando, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) em 25 de setembro de 2026, com dívida de US$ 4,4 bilhões. A subsidiária que opera os trens na Flórida ficou fora do pedido e o serviço segue normal. Os investidores atuais se comprometeram a aportar US$ 490 milhões. Segundo reportagem, o número de passageiros ficou abaixo das metas da empresa, embora tenha crescido 14% até agosto de 2026 em relação a 2025.

Crescer 14% ao ano e quebrar mesmo assim: é o paradoxo da dívida feita contando com a meta, e não com o resultado. O trem enche mais a cada ano, só não enche no ritmo que a planilha do banco prometia. Repare também na arquitetura: a dívida ficou na holding, a operação ficou em outra empresa, e o passageiro nem percebeu. Você não precisa de holding. Precisa não fazer empréstimo para expansão calculado em cima da venda que você espera ter.

Fonte: Brasilturis

Curiosidade

Dona do ChatGPT lança documentos e apresentações para competir com o Office da Microsoft, sua maior sócia

A OpenAI anunciou em 29 de setembro de 2026, na conferência DevDay, em San Francisco, o Space, um espaço compartilhado de trabalho dentro do ChatGPT, e o Pages, um editor de documentos em que pessoas e agentes de IA escrevem juntos, com comentários e edição em tempo real. Apresentações colaborativas chegam nas próximas semanas, e planilhas foram prometidas para depois. Segundo o TechCrunch, a empresa vai atrás do negócio principal da Microsoft, que é sua parceira desde o início.

A Microsoft pôs bilhões na OpenAI, e a OpenAI agora quer o Word e o PowerPoint dela. No mundo grande isso se chama estratégia; no pequeno, chama-se o fornecedor que começa a vender direto para o seu cliente. A lição não é desconfiar de sócio, é saber o que só você tem. Se o que você vende pode ser copiado por quem está do seu lado, a sua proteção não é contrato, é o cliente preferir você.

Fonte: TechCrunch