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O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Ri Happy vai à Justiça renegociar R$ 827 milhões a dois meses do Natal

A dois meses do Natal, que é a única época do ano em que brinquedo vende sozinho, a Ri Happy foi à Justiça renegociar R$ 827 milhões. Não é a primeira vez: em 2023 ela já tinha renegociado cerca de R$ 292 milhões com os bancos, e não bastou. Quem renegocia dívida e mantém a mesma operação só ganha tempo, e tempo com juro de dois dígitos custa caro. O resto do dia conversa com isso. O varejo vendeu 6,3% mais no trimestre, mas foi o básico que puxou: supermercado e combustível sobem, roupa e móvel caem, porque a renda paga o arroz e o crédito não paga o sofá. O Bolsa Família reajustado está caindo na conta do seu cliente até o dia 30. E a Receita fechou a conta do Simples de 2027: 401 mil pedidos negados, com prazo até 30 de outubro para quem quiser consertar. Ah, e o DAS vence hoje. Hoje mesmo.

PrazosTem prazo

Hoje, terça, 20 de outubro, vencem o DAS do Simples Nacional, a contribuição previdenciária da folha e o FGTS de setembro

Pela Agenda Tributária da Receita Federal de outubro de 2026, vencem em 20 de outubro o DAS do Simples Nacional (competência setembro de 2026), o DAE do Simples Doméstico, a contribuição previdenciária das empresas sobre a folha, inclusive do MEI com empregado, a contribuição descontada dos empregados e o IRRF sobre salários. O PGDAS-D de setembro também deve ser transmitido até essa data. O FGTS mensal, recolhido pelo FGTS Digital, vence no dia 20 do mês seguinte à competência.

Avisei ontem, aviso de novo: é hoje. Não existe guia mais previsível no Brasil, e mesmo assim é a que mais gera multa, porque o dono confia que "o contador já pagou". O contador emite. Quem paga é você.

O que fazer

Antes do almoço: abra o aplicativo do banco e confira se DAS, INSS e FGTS estão pagos ou agendados para hoje. Se faltar uma guia, peça ao contador agora, não às 17h.

Fonte: Receita Federal (Agenda Tributária, 20/10/2026)

Simples NacionalTem prazo

Receita indefere 401 mil dos 657 mil pedidos de entrada no Simples Nacional para 2027; pendência pode ser regularizada até 30 de outubro

Segundo a Receita Federal, em balanço divulgado em 16 de outubro de 2026, o período de opção pelo Simples Nacional para 2027 terminou em 15 de outubro com 657.753 solicitações: 256.607 deferidas e 401.146 indeferidas. Quem teve o pedido indeferido pode regularizar as pendências impeditivas até 30 de outubro de 2026. A opção pelo regime regular do IBS e da CBS, que somava 917.331 solicitações, segue aberta até 30 de outubro de 2026.

Seis em cada dez empresas que pediram para entrar no regime "simples" levaram um não. O nome do regime é a melhor piada tributária do país. E o não quase nunca é sobre faturamento: é débito esquecido, cadastro desatualizado, pendência que ninguém olhou. A boa notícia é que o não ainda tem conserto. A má é que o conserto tem data, e são dez dias.

O que fazer

Se a sua empresa pediu o Simples para 2027: confira hoje o resultado no Portal do Simples Nacional. Se foi indeferido, peça ao contador a lista das pendências e resolva até 30 de outubro, e não no dia 29 (débito se parcela ou se paga, e o sistema precisa de tempo para enxergar).

Fonte: Receita Federal (balanço de 16/10/2026) · Simples Nacional: como funciona e quem pode entrar

VarejoFique de olho

Varejo vende 6,3% mais no 3º trimestre, puxado por supermercado e combustível; vestuário e calçados caem 4,4% em setembro

Segundo o Índice do Varejo Stone, divulgado em 13 de outubro de 2026, as vendas do varejo no terceiro trimestre de 2026 cresceram 6,3% sobre o mesmo período de 2025 e 1,6% sobre o segundo trimestre. No acumulado de janeiro a setembro, a alta é de 4,7%. Em setembro, as vendas subiram 5,4% sobre setembro de 2025 e caíram 0,3% sobre agosto. Na comparação anual de setembro, combustíveis e lubrificantes subiram 13,4% e hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo, 11,9%. Tecidos, vestuário e calçados caíram 4,4%, móveis e eletrodomésticos, 0,5%, e material de construção, 0,4%. Segundo o economista da Stone Guilherme Freitas, a renda continua sustentando o consumo, principalmente das necessidades do dia a dia, enquanto o crédito limita os setores mais dependentes de financiamento. O índice é calculado com transações de cartão, voucher e Pix na rede da Stone.

O número da manchete é bonito, a composição é que conta a verdade. O brasileiro está comprando o que come e o que põe no tanque. O que precisa de parcela, ele adia. Com juro onde está, a loja que depende do carnê está vendendo para um cliente que não consegue mais assinar o carnê. E quem compra estoque de Natal achando que o crédito volta até dezembro está apostando o caixa num desejo, não num dado.

O que fazer

Compare o seu terceiro trimestre com o de 2025. Se você vende roupa, móvel ou material de construção, faça o pedido de Natal pelo que vendeu em setembro, não pelo que vendeu no Natal passado.

Fonte: Poder360 (Índice do Varejo Stone) · Gestão de estoque na pequena empresa

ClienteFique de olho

Bolsa Família reajustado em 15,04% começa a ser pago: piso sobe de R$ 600 para R$ 691, com depósitos até 30 de outubro

O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, oficializado em 17 de setembro de 2026, vale a partir dos pagamentos de outubro. O benefício mínimo por família passa de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio estimado pelo governo vai de R$ 675 para R$ 777. O Benefício de Renda de Cidadania passa a R$ 164 por integrante, o Benefício Primeira Infância a R$ 173 por criança de até sete anos e o Benefício Variável Familiar a R$ 58. A correção segue o INPC acumulado de março de 2023 a agosto de 2026. Os pagamentos começaram em 19 de outubro e seguem o último dígito do NIS: finais 1 a 5 de 19 a 23 de outubro, finais 6 a 9 de 26 a 29 de outubro e final 0 em 30 de outubro. O custo estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026.

Não vou discutir aqui o calendário do reajuste: isso é assunto da urna, e esta página é do caixa. O que interessa para quem tem loja de bairro é simples: a família que recebe o piso ganha R$ 91 a mais por mês, e o dinheiro chega escalonado em duas semanas. Esse dinheiro não vai para a bolsa de valores. Vai para o mercadinho, a farmácia, o açougue e o acerto do fiado.

O que fazer

Se a sua clientela é de bairro: reforce o estoque do básico até o dia 30 e combine o acerto do fiado para a semana em que o cliente recebe, não para o fim do mês.

Fonte: SBT News · Cliente inadimplente: como cobrar sem perder o cliente

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas, 48 dias depois de trocar de dono

O grupo Ri Happy, que inclui a PBKids, apresentou à Justiça de São Paulo no domingo, 18 de outubro de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas de seis empresas do grupo, segundo o DCI, em reportagem de 19 de outubro. Credores com R$ 308,8 milhões, 42,38% dos créditos do plano, já aderiram, e o grupo tem 90 dias para atingir o percentual necessário à aprovação. Segundo a Exame, citada pelo DCI, o serviço da dívida é de cerca de R$ 70 milhões por ano. A empresa já havia renegociado cerca de R$ 292 milhões em dívidas bancárias em 2023. O grupo cita as restrições da pandemia, o custo do endividamento com juros altos, a concorrência de plataformas como Shopee e AliExpress e a restrição ao crédito. O pedido vem 48 dias depois da compra da empresa pela BluSun Capital Partners, anunciada em agosto de 2026. Segundo a empresa, lojas e canais digitais seguem funcionando, com foco na Black Friday e no Natal.

Brinquedo é o negócio mais sazonal do varejo: você compra o estoque no meio do ano, com dinheiro emprestado, e torce para o Natal pagar a conta. Quando o juro sobe e a Shopee entrega o mesmo carrinho pela metade do preço, a torcida não basta. E a renegociação de 2023 mostra o resto: alongar a dívida sem mudar a operação só muda a data do aperto. Para o dono pequeno, a lição é olhar o próprio calendário. Se a sua venda se concentra em dois meses do ano, o estoque desses dois meses não pode ser comprado com o crédito mais caro que você tem.

Fonte: DCI

Crescendo na crise

Rede que começou numa loja de 60 m² em Santa Catarina chega a 100 unidades e projeta R$ 265 milhões, com margem de 18% a 22% por loja

A Prioridade 10, rede de franquias de Cunha Porã (SC) fundada em 2014 por Rogério Zorzetto e Angélica Leising, começou com uma loja de 60 m², capital de R$ 25 mil e um empréstimo de R$ 20 mil do pai do fundador, segundo o Economia SP, em reportagem de 15 de outubro de 2026. A rede tem 100 lojas, faturou R$ 250 milhões em 2024, projeta R$ 265 milhões em 2026 e quer passar de 110 unidades até o fim do ano, com expansão para Bahia e Rio Grande do Norte. Segundo a reportagem, lojas de 400 m² faturam em média mais de R$ 2,3 milhões por ano, com lucro mensal de R$ 35 mil a R$ 40 mil e margem de 18% a 22%. As compras são centralizadas num portal próprio, e um centro de distribuição em São Paulo vai abastecer o Nordeste para reduzir custo. 90% dos franqueados operam mais de uma loja.

A venda da rede cresce devagar: uns 6% em dois anos. O que chama a atenção é a margem de cada loja, de 18% a 22%, num varejo em que muita gente trabalha com metade disso. Não é mágica: é compra centralizada, padrão de loja e um centro de distribuição para não pagar frete caro. Para o dono pequeno, fica a ordem certa das coisas: primeiro a loja dá lucro, depois ela se multiplica. Quem inverte a ordem multiplica o prejuízo.

Fonte: Economia SP