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O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Bradesco lucra R$ 7,1 bilhões e separa 24% mais para o calote

O Bradesco lucrou R$ 7,1 bilhões no trimestre, 14,6% mais que um ano atrás. E o número que me interessa está na linha de baixo: a inadimplência subiu para 4,6% e a reserva para o calote cresceu 24,3%. Ontem a gente viu 9,3 milhões de empresas com conta atrasada. Hoje vimos quem lucra mesmo assim, e como: o banco cobra o calote no preço antes de emprestar. O dono pequeno, quase sempre, descobre o calote depois de vender. No resto da edição: a nota de serviço do Simples muda de endereço em 1º de novembro, sem nova prorrogação, e a semana que vem é a última para testar. O lote residual do IR cai em 30 de outubro na conta de 184 mil pessoas, e a terceira fase do Desenrola começou pelos bancos. Nos Bastidores, a Volvo perdeu bilhões para dizer em voz alta que margem vale mais que participação, e a WEG vendeu mais e lucrou quase o mesmo.

CréditoFique de olho

Bradesco lucra R$ 7,1 bilhões no 3º trimestre, alta de 14,6%, com inadimplência em 4,6% e provisão para perdas 24,3% maior

O Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 14,6% sobre o mesmo período de 2025 e de 0,8% sobre o trimestre anterior, segundo o balanço divulgado em 22 de outubro de 2026. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, ante 4,1% um ano antes e 4,3% no segundo trimestre. A provisão para devedores duvidosos (PDD expandida) foi de R$ 10,6 bilhões, alta de 24,3% em 12 meses. A carteira de crédito chegou a R$ 1,15 trilhão (+11,1%), e a de micro, pequenas e médias empresas a R$ 272,5 bilhões (+13%). A margem financeira somou R$ 21,3 bilhões (+14,2%) e o retorno sobre o patrimônio foi de 15,6%.

Leia de novo: o calote subiu, a reserva para o calote subiu 24%, e o lucro subiu 14,6% mesmo assim. Não é mágica, é preço. O banco cobra no juro de quem paga o que vai perder com quem não paga, e separa o dinheiro antes de o prejuízo chegar. Enquanto isso, o dono pequeno vende fiado pelo mesmo preço do à vista e chama o calote de azar. O banco não acredita em azar. Ele acredita em planilha.

O que fazer

Esta semana: some quanto você deixou de receber nos últimos 12 meses e divida pelo que vendeu a prazo. Esse percentual é o seu custo de calote: ponha no preço da venda a prazo, ou dê desconto de verdade para quem paga no Pix na hora.

Fontes: InfoMoney (22/10/2026), Poder360 (22/10/2026) · Como precificar produtos e serviços

Nota fiscalTem prazo

Sem nova prorrogação: a partir de 1º de novembro, ME e EPP do Simples Nacional emitem a nota de serviço só pelo Emissor Nacional

Pela Resolução CGSN nº 191, de 4 de agosto de 2026, microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional que prestam serviços sujeitos à NFS-e passam a emitir a nota pelo Emissor Nacional, na versão web ou por integração via API, a partir de 1º de novembro de 2026. Até 31 de outubro, a emissão continua nos sistemas das prefeituras. Até 23 de outubro, nenhuma nova prorrogação havia sido publicada no portal da NFS-e. O destaque de IBS e CBS na nota dos optantes do Simples passa a valer em 1º de janeiro de 2027.

O dia 1º cai num domingo, e o último dia útil no sistema da prefeitura é a sexta, 30. Ou seja: a semana que vem é a última para descobrir, com calma, que o acesso não funciona ou que o sistema de gestão ainda não conversa com o Emissor. Nota que não sai é serviço que não se cobra. E reclamar com a prefeitura na segunda, dia 2, vai render o mesmo que reclamar do trânsito.

O que fazer

Até sexta, 30: emita uma nota de teste no Emissor Nacional com a conta gov.br ou o certificado da empresa. Se você usa sistema de gestão, peça ao fornecedor a confirmação por escrito de que ele já emite pelo padrão nacional.

Fontes: Fenacon (Resolução CGSN 191/2026), Portal da NFS-e (notícias) · NFS-e pelo Emissor Nacional no Simples

Imposto de RendaFique de olho

Receita paga em 30 de outubro o lote residual do IR 2026: R$ 531,6 milhões para 184.442 contribuintes

A Receita Federal liberou às 9h de 23 de outubro de 2026 a consulta ao lote residual de restituição do IRPF 2026. O crédito de R$ 531.601.793,51 para 184.442 contribuintes será feito em 30 de outubro, ao longo do dia. Do total, R$ 293,4 milhões vão para contribuintes com prioridade legal: idosos, pessoas com deficiência ou moléstia grave e professores. Outras 121.531 restituições ganharam prioridade por uso da declaração pré-preenchida ou opção pelo Pix, e 16.665 não são prioritárias.

Meio bilhão caindo na conta de 184 mil pessoas numa sexta-feira de fim de mês, véspera de salário e de Black Friday. Não é dinheiro que muda o país, mas muda a semana de quem recebe. E boa parte vai direto para conta atrasada, inclusive a que está pendurada no seu caderno de fiado. A pergunta é só quem cobra primeiro.

O que fazer

Se você tem cliente pessoa física devendo, a semana de 30 de outubro é a hora de cobrar: mande a mensagem na quinta, 29, com o valor e a chave Pix, antes de o dinheiro ir para outro lugar.

Fonte: Receita Federal (22/10/2026) · Cliente inadimplente: como cobrar sem perder o cliente

DívidasPara saber

Desenrola 3ª fase: bancos têm cinco dias úteis para oferecer ao governo dívidas de cartão de até R$ 10 mil com 2 a 4,5 anos de atraso

A Portaria nº 3.127, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União de 22 de outubro de 2026, convoca bancos, instituições financeiras e FIDCs a informar, em cinco dias úteis, as dívidas que pretendem vender na terceira fase do Desenrola. Entram dívidas de pessoas físicas e MEIs de até R$ 10 mil no valor original, com atraso entre 720 e 1.645 dias, de cartão de crédito (rotativo e parcelado) e de crédito pessoal sem consignação. O leilão de compra está previsto para novembro, podendo ficar para o início de dezembro, com deságio mínimo de 90%. A estimativa é de até R$ 90 bilhões em dívidas, a um custo máximo de R$ 9 bilhões. O devedor poderá pagar à vista ou parcelar com juros, em condições que ainda dependem do Conselho Monetário Nacional. Segundo a Agência Brasil, nesta fase os consumidores não precisam procurar os bancos.

O número que importa é o deságio: no mínimo 90%. O banco aceita receber 10 centavos por real de uma dívida que ele mesmo já deu como perdida. A dívida de cartão de R$ 2 mil vale R$ 200 há muito tempo, só o devedor não sabia. Para o dono, a lição é dupla. O cliente com nome sujo há três anos pode voltar a comprar a prazo em 2027, e é bom saber disso antes de ele pedir fiado. E dívida velha vale muito menos que o número no papel, inclusive a que os seus clientes têm com você.

O que fazer

Se você é MEI com dívida de cartão de até R$ 10 mil atrasada há mais de dois anos, acompanhe as condições da 3ª fase antes de fechar acordo. E se tem cliente devendo há anos, ofereça um acordo com desconto grande: receber 30% de dívida velha vale mais que guardar 100% de nada.

Fontes: Agência Brasil (22/10/2026), Agência Brasil (21/10/2026) · Cliente inadimplente: como cobrar sem perder o cliente

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Volvo Cars tem prejuízo operacional de 3,7 bilhões de coroas no trimestre, corta mais 2.500 vagas e a ação cai quase 30% no dia

A Volvo Cars teve prejuízo operacional de 3,7 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 373 milhões) no terceiro trimestre de 2026, ante lucro de 5,8 bilhões de coroas um ano antes, segundo a Reuters, em reportagem publicada pelo InfoMoney em 23 de outubro de 2026. Analistas esperavam prejuízo de 724 milhões de coroas, segundo o Citi. A margem bruta caiu de 20,4% para 14,7%. A empresa anunciou o corte de mais 2.500 vagas, cerca de 6% do quadro, além de 3.000 já anunciadas, e a ação caiu quase 30% no dia. A montadora citou a demanda irregular por carros elétricos, as tarifas e a piora do mercado chinês, e disse que vai priorizar margem em vez de participação de mercado na China, sem disputar preço com as rivais locais, e que planeja fazer o mesmo nos Estados Unidos.

A frase mais cara do balanço não é o prejuízo, é a conclusão: vamos priorizar margem, não participação. A Volvo precisou perder bilhões e ver a ação derreter para dizer em voz alta o que muito dono pequeno aprende no primeiro ano: brigar por preço com quem tem custo menor que o seu é pagar para trabalhar. Para o dono pequeno, a lição sai de graça. Se o concorrente baixou o preço e você só consegue acompanhar perdendo margem, não acompanhe. Escolha o cliente que paga pelo que você entrega e deixe o resto para quem tem fôlego para queimar dinheiro.

Fonte: InfoMoney / Reuters (23/10/2026)

Crescendo na crise

WEG fatura 5,7% mais no trimestre, mas o lucro sobe só 0,9% com metal mais caro, real forte e tarifa americana

A WEG teve lucro líquido de R$ 1,66 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 0,9% sobre o mesmo período de 2025, abaixo dos R$ 1,71 bilhão esperados pelo mercado (LSEG), segundo resultado divulgado em 21 de outubro de 2026. A receita líquida foi de R$ 10,8 bilhões (+5,7%), com R$ 6,78 bilhões do mercado externo (+8,3%) e R$ 4,07 bilhões do mercado interno (+1,8%). O Ebitda foi de R$ 2,34 bilhões (+3,1%), e a margem Ebitda caiu 0,6 ponto percentual, para 21,6%. A empresa atribuiu a pressão ao custo de cobre, aço e alumínio, ao câmbio desfavorável e às tarifas dos Estados Unidos.

A WEG é das empresas mais bem geridas do país, e mesmo ela mostra a armadilha: vendeu 5,7% mais e lucrou 0,9% mais. A diferença ficou no cobre, no aço e no câmbio, custos que ela não controla. Se acontece com quem tem fábrica no mundo inteiro, imagine com quem compra matéria-prima no atacadista da esquina. A lição para o dono pequeno: venda maior não prova nada. Compare, todo mês, quanto sobra de cada real vendido. Se o faturamento sobe e a sobra fica parada, alguém está levando o seu crescimento, e quase sempre é um custo que subiu calado.

Fonte: Análise de Ações (21/10/2026)