Afundando
Qintess pede recuperação judicial, e a maior dívida é de imposto e FGTS, que ficam fora do pedido
O grupo de tecnologia Qintess, que reúne empresas como Cimcorp e Resource, pediu recuperação judicial em 24 de setembro de 2026 na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, segundo o Baguete. As dívidas somam R$ 1,32 bilhão. O pedido abrange R$ 497,97 milhões, dos quais R$ 138,53 milhões trabalhistas, com cerca de 1,5 mil credores, e R$ 359,38 milhões quirografários; outros R$ 826,24 milhões são débitos fiscais e de FGTS, que não entram na recuperação. A empresa tem cerca de 1,5 mil funcionários. Segundo o pedido, a crise veio da suspensão e redução de contratos públicos na pandemia, dos juros altos, de atrasos de cerca de três meses em pagamentos de clientes públicos e de execuções trabalhistas com bloqueio de recebíveis.
Repare na proporção: de cada R$ 3 que a Qintess deve, quase R$ 2 são imposto e FGTS, justamente a dívida que a recuperação judicial não alcança. O caminho é conhecido: o cliente atrasa, você segura o imposto para pagar a folha, depois segura o FGTS para pagar o fornecedor, e quando percebe o maior credor é o governo, o único que não negocia em assembleia. E tem a outra lição, mais barata: cliente público que paga com três meses de atraso não é cliente grande, é financiamento sem juro que você dá ao Estado. Se uma fatia grande do seu faturamento depende de um cliente só, essa notícia é sobre você.
Fonte: Baguete