O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Pix por aproximação deixa de ter teto de R$ 500 a partir de hoje

O Banco Central tirou hoje o teto de R$ 500 do Pix por aproximação, uma regra de segurança que protegia uma modalidade usada em 0,06% dos Pix do mês. É notícia boa, e é a mais buscada do dia no Google, mas não se anime além da conta: para o dinheiro entrar assim no seu caixa, a sua maquininha precisa aceitar e o seu cliente precisa saber que existe. O resto da edição é calendário. Domingo tem eleição, que pela lei é feriado nacional, e quem abre a loja precisa saber o que deve a quem trabalha e a quem foi convocado para a mesa. E o 13º, que o país inteiro pesquisou ontem, tem as datas confirmadas: 30 de novembro e 18 de dezembro. Dezembro parece longe até a primeira parcela cair numa segunda-feira de fim de mês.

PixTem prazo

Pix por aproximação deixa de ter teto de R$ 500 a partir de hoje

Pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada pelo Banco Central em junho de 2026, o Pix por aproximação deixa de ter o limite fixo de R$ 500 por transação a partir de 1º de outubro de 2026. O pagamento passa a seguir o mesmo limite do Pix por chave ou QR Code, definido por cada instituição, e o cliente pode pedir ao banco o aumento ou a redução do limite; o banco deve oferecer uma ferramenta de gerenciamento no aplicativo. O Pix por aproximação usa a tecnologia NFC: o cliente aproxima o celular da maquininha, pela carteira digital ou pelo app do banco, e autentica o pagamento. Segundo a Agência Brasil, a modalidade registrou 2 milhões de transações em agosto de 2026, 0,06% do total do mês.

Durante mais de um ano o Banco Central protegeu com um teto de R$ 500 uma modalidade que quase ninguém usa: 2 milhões de operações num mês em que o Pix passa de três bilhões. Agora o teto caiu, e a modalidade continua com o mesmo problema de antes, que é ninguém saber que ela existe. Para você, a conta é simples: o cliente que vinha com o celular na mão e travava no meio de uma compra de R$ 800 agora passa. Se a sua maquininha aceitar. E se ela cobrar pelo Pix na máquina o mesmo que cobra no débito, você ganhou conveniência e não ganhou um centavo.

O que fazer

Pergunte hoje à empresa da sua maquininha duas coisas: se ela aceita Pix por aproximação e quanto cobra por ele, em comparação com o débito. Se aceitar e for mais barato, ponha um aviso no caixa ("aceitamos Pix por aproximação"). Se não aceitar, o QR Code de sempre continua valendo.

Fontes: Agência Brasil, Metrópoles · Taxas da maquininha de cartão: quanto você paga de verdade

TrabalhoTem prazo

Eleição de domingo é feriado nacional, e o funcionário convocado como mesário ganha folga em dobro

O primeiro turno das eleições de 2026 é no domingo, 4 de outubro, e o segundo, se houver, em 25 de outubro. Pelo Código Eleitoral (art. 380), o dia da eleição é feriado nacional. Pela Lei nº 605/1949 (art. 9º), quem trabalha em feriado recebe a remuneração do dia em dobro, salvo se o empregador der outro dia de folga; no comércio, abrir em feriado depende de autorização em convenção coletiva (Lei nº 10.101/2000). O empregado que trabalhar no dia tem direito ao tempo necessário para votar, sem desconto, e impedir ou embaraçar o voto é crime eleitoral (Código Eleitoral, arts. 234 e 297). O funcionário convocado como mesário, ou para auxiliar os trabalhos, é dispensado do serviço pelo dobro dos dias de convocação, sem prejuízo do salário, mediante declaração da Justiça Eleitoral (Lei nº 9.504/1997, art. 98).

Aqui não tem candidato nem partido, tem folha de pagamento. Domingo de eleição é feriado, o que significa que a escala de domingo comum vira escala de feriado, com outro preço. E o mesário é o único caso em que a lei te obriga a dar folga em dobro por um serviço prestado a outro patrão, o Estado, que não paga um real dessa conta. Você não escolhe se dá a folga; só combina quando. Então combine logo, antes que a folga caia na semana do Natal.

O que fazer

Hoje: pergunte à equipe quem foi convocado como mesário e peça a declaração da Justiça Eleitoral depois do dia. Se vai abrir no domingo, confira na convenção coletiva se pode, monte a escala com tempo para cada um votar e registre a folga compensatória ou o pagamento em dobro. Anote as folgas de mesário com data combinada por escrito.

Fontes: Planalto (Lei nº 9.504/1997), Planalto (Código Eleitoral), Tribuna Hoje · Folha de pagamento: como montar e conferir

13º salárioFique de olho

13º salário de 2026: primeira parcela até 30 de novembro e segunda até 18 de dezembro

Pela Lei nº 4.749/1965, o empregador paga a primeira parcela do 13º salário entre fevereiro e novembro, de uma só vez, no valor de metade do salário do mês anterior, e a segunda até 20 de dezembro, descontado o adiantamento. Em 2026, o último dia para a primeira parcela é segunda-feira, 30 de novembro. Como 20 de dezembro cai num domingo, a orientação é pagar a segunda parcela até sexta-feira, 18 de dezembro. A primeira parcela sai sem descontos; o INSS e o Imposto de Renda incidem na segunda. O empregador não é obrigado a pagar o adiantamento a todos no mesmo mês.

O 13º foi uma das buscas mais feitas do Brasil ontem, com mais de 100 mil pesquisas, quase todas de quem vai receber. Quem vai pagar costuma lembrar no dia 25 de novembro, olhando o extrato. A lei nunca escondeu a data, mas tem uma pegadinha que ela não te conta: o Natal, que é quando o seu caixa deveria engordar, é exatamente quando você tem que pagar uma folha a mais. A lei ainda deixa uma folga útil: você pode adiantar a primeira parcela de cada funcionário em meses diferentes, e quase ninguém usa.

O que fazer

Some a folha de outubro e anote: metade sai até 30 de novembro e a outra metade, com os descontos, até 18 de dezembro, mais o FGTS de 8% sobre cada parcela. Separe esse dinheiro numa conta à parte a partir do próximo recebimento. Se o caixa aperta em novembro, pague a primeira parcela de parte da equipe já em outubro.

Fontes: Planalto (Lei nº 4.749/1965), Mix Vale · Cálculo do décimo terceiro: passo a passo

MarketplacePara saber

Shopee abre exportação para Argentina e México a vendedores brasileiros, por convite

A Shopee lançou a Plataforma Internacional Shopee, que permite a vendedores brasileiros oferecerem produtos a consumidores da Argentina e do México, segundo a Mercado&Consumo, em 29 de setembro de 2026. A empresa coordena a logística por parceiros, da coleta ao transporte internacional, à entrega ao consumidor final e ao suporte no desembaraço aduaneiro, sem custo adicional dentro da plataforma. A adesão é por convite, na Central do Vendedor. Na fase piloto, mais de 19 mil vendedores brasileiros aderiram, e a meta é chegar a mais de 150 mil.

Exportar, para o pequeno, sempre foi papelada, despachante e câmbio. A Shopee está vendendo justamente a parte chata: ela carrega a caixa e cuida da alfândega. Mas lembre de quem manda nessa estrada: é a mesma plataforma que decide a sua comissão, o seu frete e se o seu anúncio aparece. Abrir dois países novos dentro da casa de outro é crescer de aluguel. Vale testar, não vale apostar a loja.

O que fazer

Se você vende na Shopee, abra a Central do Vendedor e veja se o convite apareceu. Antes de aceitar, faça a conta de um produto: preço, comissão, frete e o prazo em que o dinheiro cai na sua conta. Teste com poucos itens e mantenha o canal que é seu.

Fonte: Mercado&Consumo

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Qintess pede recuperação judicial, e a maior dívida é de imposto e FGTS, que ficam fora do pedido

O grupo de tecnologia Qintess, que reúne empresas como Cimcorp e Resource, pediu recuperação judicial em 24 de setembro de 2026 na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, segundo o Baguete. As dívidas somam R$ 1,32 bilhão. O pedido abrange R$ 497,97 milhões, dos quais R$ 138,53 milhões trabalhistas, com cerca de 1,5 mil credores, e R$ 359,38 milhões quirografários; outros R$ 826,24 milhões são débitos fiscais e de FGTS, que não entram na recuperação. A empresa tem cerca de 1,5 mil funcionários. Segundo o pedido, a crise veio da suspensão e redução de contratos públicos na pandemia, dos juros altos, de atrasos de cerca de três meses em pagamentos de clientes públicos e de execuções trabalhistas com bloqueio de recebíveis.

Repare na proporção: de cada R$ 3 que a Qintess deve, quase R$ 2 são imposto e FGTS, justamente a dívida que a recuperação judicial não alcança. O caminho é conhecido: o cliente atrasa, você segura o imposto para pagar a folha, depois segura o FGTS para pagar o fornecedor, e quando percebe o maior credor é o governo, o único que não negocia em assembleia. E tem a outra lição, mais barata: cliente público que paga com três meses de atraso não é cliente grande, é financiamento sem juro que você dá ao Estado. Se uma fatia grande do seu faturamento depende de um cliente só, essa notícia é sobre você.

Fonte: Baguete

Curiosidade

Bob's transforma o "morango cravejado" das redes em milk-shake em 48 horas, sem comprar ingrediente novo

O Bob's lançou o Milk Shake de Morango Cravejado, inspirado numa receita que viralizou nas redes sociais depois do pistache e do morango do amor, em 48 horas, em mais de mil pontos de venda, por tempo limitado. Segundo a empresa, a receita foi desenvolvida com ingredientes e estrutura que já existiam nas lojas: a textura crocante da camada de açúcar foi reproduzida com o Crocante, ingrediente que a rede já usava.

A parte genial não é a velocidade, é o estoque. Ninguém comprou máquina, contratou fornecedor ou testou ingrediente novo: pegaram o que já estava na prateleira e deram outro nome. É o contrário do que o dono pequeno costuma fazer quando vê uma moda, que é encher o estoque de um item que vai encalhar em três semanas. Antes de correr atrás da próxima onda, olhe o que você já tem parado no depósito e pergunte o que dá para montar com ele. Moda passa; estoque comprado para ela fica.

Fonte: Academia Brasileira de Marketing