Logo EmpresaPro

O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Desemprego cai a 5,2%, o menor para um 3º trimestre desde 2012, e o número de patrões bate recorde

Se você colocou placa de "precisa-se" na porta e ela já desbotou, o IBGE acabou de dar o motivo: o desemprego caiu a 5,2%, o menor para um terceiro trimestre desde que a pesquisa começou, em 2012. E do outro lado do balcão o Brasil nunca teve tanto patrão: 4,5 milhões de empregadores, 272 mil a mais que um ano atrás. Mais gente querendo contratar, menos gente procurando vaga. Aí em dezembro a 5x2 começa a valer, e a hora de quem você já tem fica mais cara. Eu sei que a reação natural é reclamar do mercado. A reação que paga as contas é outra: quem está empregado com você hoje vale mais do que valia em janeiro, e cuidar dele custa menos do que ir atrás de outro. No resto da edição: hoje é o último dia para o Simples escolher o regime do imposto novo, o Senado prepara uma PEC de exceções para a 5x2, e a Serasa descobriu que o Pix à vista já passou o cartão parcelado na intenção de compra da Black Friday. Nos Bastidores, a CSN vende a fábrica de cimento para pagar a dívida, a Coca-Cola comprou o galpão onde pagava aluguel, e a Irani lucrou mais com a floresta crescendo do que com o papel vendido. Segunda é Finados: banco fechado, Pix aberto.

TrabalhoFique de olho

Desemprego cai a 5,2% no trimestre até setembro, o menor para o período desde 2012; empregadores chegam a 4,5 milhões, recorde

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, a menor para um terceiro trimestre desde o início da série, em 2012, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE em 30 de outubro. Era 5,4% no trimestre anterior e 5,6% um ano antes. São 5,6 milhões de desocupados, 417 mil a menos que em 2025, e 103,6 milhões de ocupados, o maior número da série. O total de empregadores chegou a 4,5 milhões, recorde, com 272 mil a mais em um ano (alta de 6,4%). Os empregados com carteira no setor privado ficaram estáveis em 39,4 milhões. O rendimento médio real habitual foi de R$ 3.790, alta de 3,6% em um ano.

Repare na conta: o número de patrões cresceu 6,4% em um ano e o de empregados com carteira ficou parado. Tem mais gente querendo contratar disputando o mesmo bolo de trabalhador. O seu funcionário bom recebe proposta toda semana, e a do concorrente costuma vir com R$ 200 a mais. Quem trata a equipe como peça de reposição vai descobrir em dezembro que a peça sumiu do estoque.

O que fazer

Esta semana, faça uma lista das duas ou três pessoas que você não pode perder e converse com cada uma antes que o concorrente converse: o que falta para ela ficar mais dois anos? Muitas vezes a resposta é escala, não salário.

Fontes: Agência Brasil (30/10/2026), InfoMoney (30/10/2026) · Gestão de pessoas na pequena empresa

Simples NacionalTem prazo

Hoje, 30 de outubro, termina o prazo para a empresa do Simples optar por pagar IBS e CBS fora do DAS no 1º semestre de 2027

Termina nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, o prazo para a empresa optante pelo Simples Nacional escolher recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, fora do DAS, no primeiro semestre de 2027, segundo a Agência Brasil. Também vence hoje o prazo para regularizar as pendências que barraram o pedido de entrada no Simples. Quem não fizer a opção continua com IBS e CBS dentro do Simples no primeiro semestre de 2027 e pode rever a decisão em março de 2027. Quem pediu até 15 de outubro pode cancelar até 30 de novembro; para os demais, a janela de desistência vai de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026. Segundo a Agência Brasil, o cancelamento é irretratável: quem desiste não pode fazer nova opção com efeito em 2027. O MEI não é afetado.

Último dia para escolher o regime de um imposto cuja alíquota saiu na quarta e que o Senado ainda pode mexer até dezembro. Pelo menos a porta de saída existe. Só que é porta giratória de uma volta: quem desistir não entra de novo em 2027. Então a desistência, se vier, tem que vir com o número fechado na mão, não no susto.

O que fazer

Se você vende para outras empresas e o contador ainda não respondeu, registre hoje a opção no Portal do Simples Nacional e use a janela de cancelamento com calma. Se vende quase só para consumidor final, não precisa fazer nada: você fica no Simples como está.

Fonte: Agência Brasil (30/10/2026) · Simples Nacional: como funciona

TrabalhoFique de olho

Senado prepara nova PEC com exceções à escala 5x2 para categorias de jornada especial; texto deve sair na terça, 3 de novembro

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), prepara uma nova proposta de emenda à Constituição com exceções à regra que trocou a escala 6x1 pela 5x2, segundo a Exame de 30 de outubro de 2026. O texto deve ficar pronto na terça-feira, 3 de novembro, quando começaria a coleta de assinaturas. Podem ficar de fora categorias com jornadas específicas e longos períodos de descanso, como embarcados em plataformas de petróleo, aeroviários e caminhoneiros, e trabalhadores com jornada abaixo de 40 horas semanais ou de até cinco horas por dia, que poderiam negociar com o sindicato. A emenda já promulgada vale a partir de dezembro de 2026, com teto de 42 horas semanais, e de 40 horas em dezembro de 2027. Segundo interlocutores do Senado ouvidos pela Exame, com 40 horas o divisor da hora passaria de 220 para 200 horas mensais.

Promulgaram a regra para todo mundo e agora vão escrever a lista de quem não precisa cumprir. Quem tem lobby ganha exceção; a padaria, o salão e a oficina não estão na lista de ninguém. E repare no divisor: de 220 para 200 horas é a hora extra do seu funcionário ficando 10% mais cara sem nenhuma lei nova sobre hora extra.

O que fazer

Não espere a PEC das exceções para montar a escala de dezembro: ela ainda nem foi apresentada. Desenhe a 5x2 com as 42 horas da regra que já vale e peça ao contador para recalcular a hora extra com o divisor novo quando ele for confirmado.

Fonte: Exame (30/10/2026) · Fim da escala 6x1: o impacto nas pequenas empresas

VendasFique de olho

Black Friday de 27 de novembro: 38% pretendem pagar no Pix à vista e 31% no cartão parcelado, segundo a Serasa

Na pesquisa Raio-X da Black Friday, da Serasa Experian, com 1.480 consumidores ouvidos em setembro de 2026, 38% disseram que pretendem pagar as compras da data no Pix à vista e 31% no cartão de crédito parcelado, segundo o portal Panrotas de 29 de outubro. Entre os mais propensos a comprar na Black Friday, mais de 66% preferem o crédito parcelado. Entre os que vão usar crédito, 22% pensam em aumentar o limite do cartão e 13% citam o parcelamento no boleto. Na mesma pesquisa, 30% disseram já ter comprometido o orçamento com compras da Black Friday, 33% não conseguem seguir o orçamento à risca e 55% preferem abrir mão de uma promoção a assumir uma dívida. A Black Friday de 2026 cai em 27 de novembro.

O cliente que mais quer comprar é justamente o que mais quer parcelar, e um terço já admite que estoura o orçamento. Isso não é problema para quem vende no cartão: a operadora assume o calote. É problema para quem parcela no boleto, no carnê ou no fiado, porque aí o calote fica com você. E a parcela de dezembro chega junto com a fatura do Natal.

O que fazer

Para a Black Friday, ofereça desconto no Pix e parcelamento só no cartão. Se você costuma vender no boleto parcelado ou no fiado, defina hoje o limite por cliente e não abra exceção na empolgação de novembro.

Fonte: Panrotas, com a Serasa Experian (29/10/2026) · Cliente inadimplente: o que fazer

BancosPara saber

Finados, segunda (2): agências bancárias fechadas e sem pregão na B3; Pix funciona normalmente

As agências bancárias não abrem na segunda-feira, 2 de novembro, feriado de Finados, segundo a Febraban, citada pelo Seu Dinheiro. Onde não houver feriado local na terça (3), o atendimento volta nesse dia. Os canais digitais e o Pix funcionam normalmente, mas operações que dependem de compensação podem não ser processadas no feriado. Não há pregão na B3 na segunda. As agências dos Correios seguem o calendário dos bancos, e as do INSS fecham nesta sexta (30), por ponto facultativo, e na segunda.

Feriado em segunda é ótimo para quem descansa e péssimo para quem tem boleto, TED ou depósito em cheque marcado para o dia. O banco fecha e o dinheiro não se mexe. O Pix não liga para feriado, e é por isso que ele já é mais da metade dos pagamentos do país.

O que fazer

Hoje ainda: confira se tem pagamento a fornecedor ou folha marcado para segunda que dependa de compensação. Se tiver, antecipe para hoje ou combine Pix com quem vai receber.

Fonte: Seu Dinheiro, com a Febraban (30/10/2026)

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Dinheiro estranho

CSN negocia a venda da CSN Cimentos à chinesa Huaxin por R$ 12,7 bilhões para reduzir a dívida

A CSN assinou um acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin Building Materials para vender a subsidiária CSN Cimentos por um valor de empresa de R$ 12,7 bilhões, segundo o Seu Dinheiro e a Exame de 30 de outubro de 2026. A Huaxin fez a proposta mais vantajosa num processo competitivo iniciado em março. Segundo a empresa, a venda faz parte do plano para simplificar o portfólio e reduzir a dívida. A S&P rebaixou a nota de crédito da CSN de B para B-, com perspectiva negativa, citando alavancagem elevada, e a companhia teve prejuízo de R$ 773 milhões no segundo trimestre, pesado por despesas financeiras ligadas ao câmbio. Segundo o Citi, citado pelo Seu Dinheiro, a venda ajuda, mas sozinha não tira a empresa do aperto.

Quando o juro aperta, a empresa grande vende o filho que dá lucro para pagar o banco. E o pior: mesmo vendendo uma cimenteira inteira, o analista avisa que não basta. Dívida cara come primeiro a margem, depois a liberdade de escolher, e no fim come o melhor pedaço do negócio. A sua versão disso é vender o equipamento bom ou o ponto da loja para cobrir cheque especial. Só que você não tem chinês fazendo fila: a hora de mexer na dívida é antes de precisar vender alguma coisa.

Fontes: Seu Dinheiro (30/10/2026), Exame (30/10/2026)

Curiosidade

Fabricante da Coca-Cola compra por R$ 140 milhões o centro logístico onde pagava R$ 940 mil de aluguel por mês

A SPAL, subsidiária da Coca-Cola FEMSA, vai comprar por R$ 140 milhões o centro logístico que ocupava como inquilina na Avenida dos Estados, em Santo André (SP), segundo fato relevante do fundo imobiliário ALZR11 de 29 de outubro de 2026, noticiado pelo Seu Dinheiro. O galpão tem 12,7 mil m² construídos num terreno de 36,7 mil m². O aluguel atual é de R$ 940,9 mil por mês, e o contrato ia até outubro de 2033. O preço ficou cerca de 12% acima do último laudo de avaliação, de junho. A empresa já pagou R$ 7 milhões de sinal; o restante sai na escritura.

Faça a conta que a Coca-Cola fez: R$ 940 mil por mês são uns R$ 11,3 milhões por ano. Em pouco mais de 12 anos de aluguel, ela teria pago o galpão inteiro e continuaria sem ser dona. E pagou 12% acima do laudo, o que diz que ela queria muito o imóvel. Não estou dizendo para você comprar a sala que aluga: com juro alto, dinheiro preso em tijolo pode fazer falta no giro. Estou dizendo para fazer essa conta pelo menos uma vez, com o contrato na mão.

Fonte: Seu Dinheiro (30/10/2026)

Crescendo na crise

Irani lucra R$ 56,5 milhões no 3º trimestre, alta de 34,3%, puxada pela variação no valor das florestas

A Irani, fabricante de papel e embalagens, teve lucro líquido das operações continuadas de R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 34,3% sobre um ano antes, segundo o InfoMoney de 30 de outubro, com base na Reuters. A receita líquida subiu 5,3%, para R$ 456,6 milhões, com mais volume vendido de embalagens. O Ebitda ajustado cresceu 3,9%, para R$ 152,0 milhões, e a margem caiu 0,4 ponto, para 33,3%. Segundo a empresa, o aumento do lucro se deve a uma maior contribuição da variação do valor justo dos ativos biológicos, as florestas plantadas que a companhia usa como matéria-prima.

A operação cresceu 4%, o lucro 34%, e a diferença está na árvore que cresceu e foi reavaliada. É lucro de verdade na contabilidade, mas não entra no caixa até a madeira virar papel e o papel virar venda. Já vi muito dono comemorar o lucro do balancete e não ter dinheiro para pagar a folha. Antes de comemorar o resultado do mês, pergunte quanto dele está na conta e quanto está no papel.

Fonte: InfoMoney, com Reuters (30/10/2026)