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O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Restaurante fatura 4% menos no cartão e antecipa 30% mais do que vai receber

Tem um botão no aplicativo da maquininha que é o mais perigoso do Brasil: "receber agora". Ele não pede garantia, não pede reunião com gerente e não parece empréstimo. Mas é. A F360 olhou 2.550 bares, restaurantes e lanchonetes e achou o retrato de quem está apertando esse botão toda semana: na mesma base de empresas, o faturamento em cartão caiu 4% e a antecipação subiu 30%. Vende menos, adianta mais, e a taxa de cada adiantamento sai do lucro de um prato que já foi servido. No resto do dia, três coisas mudaram de status desde sexta: o Senado aprovou o novo teto do MEI e o texto está na mesa do presidente, o Congresso promulgou o fim da 6x1 e o relógio dos 60 dias já está correndo (a 5x2 vale em 15 de dezembro), e o DAS, o INSS da folha e o FGTS vencem amanhã. Nos Bastidores, a fraude da Americanas virou processo criminal, a Casas Bahia fechou o acordo da rescisão de 4,3 mil demitidos e uma transportadora de Cuiabá foi renegociar R$ 4 milhões na Justiça com dez postos de combustível na lista de credores.

RecebimentoFique de olho

Bares e restaurantes antecipam 30% mais os recebíveis de cartão enquanto o faturamento em cartão da mesma base cai 4%

Segundo levantamento da F360 divulgado em 17 de outubro de 2026, com 2.550 CNPJs de alimentação e base nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, metade dos bares, restaurantes e lanchonetes cresceu mais de 10% em faturamento no cartão. Na base comparável, porém, o faturamento em cartão recuou cerca de 4% e a antecipação de recebíveis cresceu cerca de 30%. A parcela do faturamento antecipada subiu de cerca de 10% para 13%, e cerca de 64% dos clientes de alimentação com faturamento em cartão anteciparam. O volume antecipado somou R$ 544 milhões, contra R$ 396 milhões no ciclo anterior. O prazo médio de recebimento do setor é de 25 dias, contra 65 dias nos demais segmentos, e as vendas parceladas são 3,9% do faturamento em cartão.

Restaurante recebe o cartão em 25 dias, quase não parcela, e mesmo assim precisa adiantar. Isso diz uma coisa só: o dinheiro do mês está acabando antes do mês. Antecipação é crédito com nome bonito e sem gerente para te olhar torto. Quem antecipa uma vez para cobrir um buraco geralmente antecipa de novo na semana seguinte, porque o buraco não sumiu, só mudou de data. E cada vez a taxa morde a margem de um prato que já saiu da cozinha.

O que fazer

Abra o extrato da maquininha dos últimos 3 meses e some quanto pagou de taxa de antecipação. Divida pelo seu lucro do mesmo período. Se passou de 10%, o problema não é a maquininha: é o capital de giro, e ele se resolve no preço e no prazo de fornecedor, não no botão de receber agora.

Fonte: Mercado & Consumo (levantamento F360) · Taxas de maquininha de cartão: quanto você paga de verdade

PrazosTem prazo

Amanhã, terça, 20 de outubro, vencem o DAS do Simples Nacional, a contribuição previdenciária da folha e o FGTS de setembro

Pela Agenda Tributária da Receita Federal de outubro de 2026, vencem em 20 de outubro o DAS do Simples Nacional (competência setembro de 2026), o DAE do Simples Doméstico, a contribuição previdenciária das empresas sobre a folha, inclusive do MEI com empregado, a contribuição descontada dos empregados e o IRRF sobre salários. O PGDAS-D de setembro também deve ser transmitido até essa data. O FGTS mensal, recolhido pelo FGTS Digital, vence no dia 20 do mês seguinte à competência.

É a conta mais previsível do ano: mesma data, todo mês, sem surpresa. E mesmo assim é a que mais gera multa, porque cai no meio da semana e ninguém agenda. Juro de guia atrasada não tem desconto nem choro.

O que fazer

Hoje: confirme com o contador que o PGDAS-D de setembro foi transmitido e deixe DAS, INSS e FGTS agendados para amanhã.

Fonte: Receita Federal (Agenda Tributária, 20/10/2026)

MEIFique de olho

Senado aprova por 78 a 0 o teto do MEI de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, com até dois empregados e perdão de dívidas; texto vai à sanção

O Senado aprovou em 15 de outubro de 2026, por 78 votos a 0, o PLP 186/2026, um dia depois da Câmara, com relatoria do senador Carlos Fávaro. O limite anual de faturamento do MEI, de R$ 81 mil desde 2016, passa a R$ 110 mil em 2027 e a R$ 140 mil em 2028; para quem abre no meio do ano, o limite mensal é de R$ 9.166,67 em 2027 e R$ 11.666,67 em 2028. O MEI poderá ter até dois empregados, recebendo exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria. O texto perdoa créditos da União de MEIs, inscritos ou não em dívida ativa, constituídos até 13 de outubro de 2026, desde que o MEI pague em dia as contribuições dos seis meses seguintes à entrada em vigor e desista de ações judiciais sobre os débitos. Segundo o Executivo, cerca de 3,6 milhões de MEIs têm R$ 12,57 bilhões inscritos na Dívida Ativa da União. O projeto seguiu para sanção presidencial.

Dez anos com o teto congelado e, de repente, 78 a 0. Quando ninguém vota contra, é porque a conta estava atrasada há tempo demais. Só que lei aprovada não é lei sancionada, e o perdão tem letra miúda: seis meses de contribuição em dia depois que a lei valer. MEI que comemorar o perdão e atrasar um DAS nesses seis meses fica sem o perdão. Ah, e o resto do Simples, que também está congelado, continua esperando a vez dele.

O que fazer

Se você é MEI com dívida antiga na União: antes de fechar parcelamento, espere a sanção e confirme com o contador se o débito entra no perdão. E pague o DAS de todo mês em dia a partir de agora, porque é ele que segura o perdão.

Fonte: Agência Senado · Novo limite do MEI: o que muda

TrabalhoFique de olho

Emenda Constitucional 141 é promulgada: escala 5x2 e jornada de 42 horas valem a partir de 15 de dezembro de 2026

O Congresso Nacional promulgou em 16 de outubro de 2026 a Emenda Constitucional nº 141, originada da PEC 221/2019, que substitui a escala 6x1 pela 5x2, sem redução de salário. Segundo a Agência Brasil, a nova jornada entra em vigor em todo o país em 15 de dezembro de 2026, 60 dias após a promulgação, com dois dias de descanso semanal remunerado e jornada máxima de 42 horas. A redução para 40 horas semanais ocorre 14 meses após a publicação. Acordo ou convenção coletiva pode prever escala diferente, com folga compensatória no mesmo mês. Terceirizados da administração pública têm 12 meses. Trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração de pelo menos R$ 21.188,87 podem ter jornada diária diferente, mantida a 5x2. Segundo a Agência Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em 16 de outubro que o governo estuda linhas de crédito e capacitação para a transição, ainda sem valores nem prazos.

Na quarta passada era aprovação. Agora é data: 15 de dezembro, a semana que antecede o Natal, que é justamente quando o comércio mais precisa de gente. A compensação para quem emprega continua no condicional: o governo "estuda" crédito. Traduzindo: a hora de trabalho fica mais cara em dezembro e a ajuda chega quando chegar, se chegar. Quem montar a escala nova em novembro passa o Natal tranquilo. Quem deixar para dezembro vai montar a escala no dia mais cheio do ano.

O que fazer

Até o fim de outubro: liste quem hoje trabalha 6x1 ou mais de 42 horas, desenhe a escala 5x2 de dezembro com essas pessoas e pergunte ao contador se a sua convenção coletiva já prevê compensação.

Fontes: Agência Brasil, Fenacon (declaração de Dario Durigan) · Fim da escala 6x1: o impacto nas pequenas empresas

TrabalhoPara saber

Lote complementar do abono salarial paga R$ 804 milhões a 1 milhão de trabalhadores com dados corrigidos pelos empregadores

O Ministério do Trabalho e Emprego começou a pagar em 15 de outubro de 2026 o lote complementar do abono salarial do ano-base 2024, para 1.030.899 trabalhadores, no total de R$ 804.241.612,00. O lote resulta do reprocessamento das informações transmitidas ou retificadas pelos empregadores entre 1º de setembro de 2025 e 20 de junho de 2026, incluindo correções de remuneração e de meses trabalhados. São 704.398 trabalhadores do PIS, pagos pela Caixa, e 326.501 do Pasep, pagos pelo Banco do Brasil. Os valores vão de R$ 136 a R$ 1.621 e ficam disponíveis até 30 de dezembro de 2026, com consulta pela Carteira de Trabalho Digital.

Um milhão de pessoas só receberam agora porque alguém, em algum escritório, mandou o dado errado ou mandou atrasado. O abono não é pago pela empresa, mas o erro que segura o abono é dela. E funcionário que fica sem R$ 1.600 por causa de um campo mal preenchido não reclama com o governo: reclama com você.

O que fazer

Se um funcionário perguntar pelo abono, peça ao contador para conferir no eSocial os salários e os meses de 2024 dele. Dado corrigido entra no próximo processamento; dado errado não entra nunca.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego · eSocial em 2026: documentação e multas

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Dinheiro estranho

Justiça Federal torna réus 12 ex-executivos da Americanas pela fraude contábil de cerca de R$ 20 bilhões

A 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do MPF e tornou réus 12 ex-executivos da Americanas, segundo o Times Brasil, em reportagem de 16 de outubro de 2026. O caso remonta às inconsistências contábeis de aproximadamente R$ 20 bilhões reveladas em janeiro de 2023, que deram origem à Operação Disclosure, da Polícia Federal e do MPF, sobre manipulação de informações contábeis para esconder dívidas e mostrar resultados maiores que os reais. Na época do pedido de recuperação judicial, as dívidas eram estimadas em R$ 43 bilhões. Um 13º denunciado fechou acordo de colaboração premiada. O processo corre em segredo de Justiça, e virar réu não é condenação. Em nota, a Americanas disse ter sido vítima de uma fraude "estruturada e de natureza dolosa".

Auditoria grande, conselho, analista, banco, investidor: todo mundo olhando, e o buraco de R$ 20 bilhões passou por anos. Se isso acontece numa empresa com esse tamanho de vigilância, imagine numa empresa onde só uma pessoa vê o financeiro. A lição para o dono pequeno não é desconfiar de todo mundo. É não terceirizar o olhar: uma vez por mês, você mesmo confere o extrato do banco contra o relatório que te entregam. Número que só uma pessoa entende é número que ninguém confere.

Fonte: Times Brasil

Afundando

Casas Bahia, em recuperação judicial, fecha acordo para pagar R$ 7,5 mil e verbas rescisórias a 4,3 mil demitidos

A Justiça do Trabalho no Distrito Federal homologou em 15 de outubro de 2026 um acordo de alcance nacional entre a Casas Bahia e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, com mediação do Ministério Público do Trabalho, segundo o Diário de Pernambuco. Cada um dos cerca de 4,3 mil trabalhadores demitidos da lista apresentada pela empresa recebe R$ 7,5 mil, mais aviso prévio, multa de 40% do FGTS e comissões e gratificações a que tinha direito. Demissões em massa futuras terão de ser comunicadas ao sindicato com 72 horas de antecedência, sob multa de R$ 1 mil por trabalhador. A varejista está em recuperação judicial desde agosto de 2026, com cerca de R$ 17 bilhões em dívidas.

Rescisão é a única dívida da empresa que vence no dia em que você toma a decisão. Por isso ela pega de surpresa até quem fatura bilhões. Quem trabalhou não tem nada a ver com a dívida do dono, e foi preciso juiz e Ministério Público para o acerto sair. Na empresa pequena, a conta é a mesma, só que sem mediador: separe todo mês um pedaço da folha para rescisão, porque a demissão nunca acontece no mês em que sobra dinheiro.

Fonte: Diário de Pernambuco (Agência Brasil)

Afundando

Transportadora de Cuiabá pede recuperação judicial com R$ 4 milhões em dívidas e dez postos de combustível entre os credores

A 1ª Vara Cível de Cuiabá aceitou o pedido de recuperação judicial da Vidromax Transportes, de transporte rodoviário de cargas, e suspendeu as execuções, segundo o Fatos de Mato Grosso, em reportagem de 18 de outubro de 2026. A dívida declarada é de R$ 4.040.247,76. O maior credor é o Bradesco, com R$ 2,2 milhões, sendo R$ 304 mil em cartões. O Banco Volkswagen Truck & Bus tem R$ 1 milhão. Entre os 19 credores sem garantia estão dez postos de combustível. A empresa atribui a crise à redução das margens de frete, à alta dos combustíveis e ao aumento do custo de manutenção da frota, e afirma que a atividade é economicamente viável. O plano de pagamento deve ser apresentado em 60 dias.

Dez postos de combustível na lista de credores contam a história inteira: o frete pagava a viagem, mas não pagava o diesel da viagem seguinte. E R$ 304 mil no cartão de crédito é o crédito mais caro do país financiando caminhão. Frete que cobre o combustível e esquece o pneu, a revisão e a parcela do caminhão não é lucro, é prejuízo parcelado. Qualquer negócio com máquina tem a mesma armadilha: o preço precisa pagar o desgaste, não só a operação do dia.

Fonte: Fatos de Mato Grosso