O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Data prorrogada: nota de devolução item por item fica para 16 de novembro

Data prorrogada, de novo: a regra que obriga a nota de devolução a apontar a nota original item por item, que deveria valer desde segunda, agora fica para 16 de novembro. É o terceiro adiamento de uma regra que nasceu para setembro, e o último saiu no mesmo dia em que ela entraria em vigor. No mesmo pacote, a nota fiscal de 2027 ganhou cara nova: o imposto novo vai morar dentro do valor do produto. Em Brasília, o Senado abriu a discussão do fim da 6x1 e quer votar na semana que vem; dois meses depois de publicada, a semana já cai para 42 horas. E a notícia boa do dia vem de quem raramente traz notícia boa, a Meta: as primeiras mil respostas do mês no WhatsApp da API são de graça. Nos Bastidores, uma perícia mostra que a Casas Bahia chegou a ter na conta menos do que gastava num único dia.

Nota fiscalFique de olho

Exigência de referenciar a nota original item por item na devolução passa para 16 de novembro

A regra que obriga a NF-e de devolução a informar, em cada item, a chave de acesso e o número do item da nota original (grupo DFeReferenciado, regra VC02-14 da Nota Técnica 2025.002-RTC) não entrou em produção em 5 de outubro de 2026. A versão 1.52 da nota técnica, publicada em 1º de outubro no Portal da NF-e, levou a data para 3 de novembro, e um aviso do Encat de 5 de outubro adiou de novo as notas técnicas 2025.002 v1.52, 2026.007 v1.10 e 2026.008 v1.00: ambiente de homologação em 26 de outubro e produção em 16 de novembro de 2026. A data original da regra era 1º de setembro.

Primeiro de setembro, cinco de outubro, três de novembro, dezesseis de novembro. Uma regra, quatro datas, três adiamentos, e o último saiu no próprio dia em que ela deveria valer. Não reclamo do adiamento, reclamo do método: a Sefaz muda a data, o fornecedor do sistema corre atrás, e quem paga a hora do suporte é você. Aproveite o fôlego, mas não confunda adiado com cancelado: a regra vem, só ninguém garante o dia.

O que fazer

Se a sua empresa é do lucro presumido ou real e emite nota de devolução, pergunte ao fornecedor do sistema se a referência por item já está pronta e peça para testar em homologação a partir de 26 de outubro. Não deixe para descobrir em 16 de novembro, com a mercadoria parada no caminhão.

Fontes: Contábeis, Migrate (NT 2025.002 v1.52) · Reforma tributária: o guia para a pequena empresa

TrabalhoFique de olho

Senado começa a discutir a PEC do fim da 6x1, e a primeira votação pode ser na semana que vem

O Plenário do Senado fez em 6 de outubro de 2026 a primeira das cinco sessões de discussão da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, previu a votação em primeiro turno para a semana que vem; depois dela, são mais três sessões antes do segundo turno, e a aprovação exige ao menos 49 votos em cada turno. O texto reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com até oito horas por dia e dois dias de repouso remunerado, um deles preferencialmente no domingo, sem redução de salário, inclusive nos contratos em vigor. A transição prevê 42 horas dois meses depois da publicação e 40 horas um ano e dois meses depois, com regras próprias para MEI, microempresa e pequena empresa, condicionadas à manutenção do nível de emprego.

Repare no detalhe que pouca gente vai repetir: são dois meses para cortar duas horas por semana. Para a empresa grande, é uma reunião de escala. Para quem tem três funcionários e abre seis dias, é contratar mais um ou fechar um dia, e a PEC promete uma transição especial para o pequeno sem dizer qual. "Condicionada à manutenção do nível de emprego" é o tipo de frase que fica bonita na Constituição e vira dor de cabeça na fiscalização. Não sou contra o funcionário folgar dois dias; sou contra aprovar a regra antes de mostrar a conta a quem paga.

O que fazer

Faça a conta agora, com a escala real: quantas horas cada funcionário trabalha por semana e quantas passam de 42 e de 40. Se o resultado for hora extra fixa ou contratação, leve ao contador antes da votação, não depois da publicação.

Fontes: Senado Notícias, Senado Notícias (votação) · Escala 6x1: o impacto nas pequenas empresas

Nota fiscalPara saber

Nota fiscal de 2027 vai somar IBS e CBS ao valor do produto, e o DANFE ganha campos novos

Receita Federal, Comitê Gestor do IBS e Encat publicaram em 1º de outubro de 2026 um pacote de notas técnicas da NF-e e da NFC-e. Pela NT 2026.008, a partir de 2027 o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo passam a compor o valor total do produto na nota, sem entrar na base de cálculo desses tributos, o que exige campos novos de valor líquido. A NT 2026.010 atualiza o leiaute do DANFE para mostrar os totais e o detalhamento dos novos tributos; segundo o Portal da Reforma Tributária, os sistemas devem se adequar até dezembro de 2026. Pelo aviso do Encat de 5 de outubro, a NT 2026.008 entra em homologação em 26 de outubro e em produção em 16 de novembro.

Tradução: o preço que aparece na nota vai mudar de cara em 2027, porque o imposto novo passa a morar dentro do valor do produto e, ao mesmo tempo, fora da conta dele mesmo. Se parece confuso, é porque é. O seu cliente vai olhar a nota e perguntar por que o número subiu, e quem vai explicar no balcão não é a Receita. A reforma prometia simplificar; até aqui, simplificou a vida de quem vende sistema.

O que fazer

Pergunte ao fornecedor do emissor de nota quando sai o novo DANFE e o valor líquido, e peça por escrito se a atualização está incluída na mensalidade. E peça ao contador, ainda este ano, uma simulação de como fica a nota dos seus cinco produtos mais vendidos em 2027.

Fontes: Portal da Reforma Tributária, Casa do Contabilista · Reforma tributária: o guia para a pequena empresa

AtendimentoPara saber

WhatsApp da API dá 1.000 mensagens de atendimento grátis por mês a cada número

Com a cobrança das mensagens de serviço na Plataforma do WhatsApp Business (API), em vigor desde 1º de outubro de 2026, cada número comercial conectado à API tem uma franquia de 1.000 mensagens de serviço gratuitas por mês, segundo provedores oficiais da Meta. A franquia renova todo mês e não acumula; a cobrança começa na 1.001ª mensagem entregue. As mensagens enviadas pelo cliente continuam gratuitas, e o aplicativo WhatsApp Business do celular não é afetado.

Notícia boa se comemora, e esta é boa para o pequeno: mil respostas por mês cobrem o atendimento de muita loja de bairro que pôs um robô no WhatsApp. Quem passa disso é empresa com volume, e aí o taxímetro liga. Mas fique de olho no fornecedor da plataforma: é bem possível que ele já tenha anunciado reajuste "por causa da Meta" sem contar que as primeiras mil são de graça.

O que fazer

Peça à plataforma de atendimento o relatório de quantas mensagens de serviço o seu número enviou em setembro. Se ficou abaixo de mil, a Meta não deveria cobrar nada a mais de você; se o fornecedor reajustou o pacote por causa da cobrança, pergunte o que exatamente ele está repassando.

Fontes: YCloud (provedor oficial da Meta), Sincofarma SP · WhatsApp Business: como usar na sua empresa

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Perícia na Casas Bahia: estoque em garantia cai 40% em quatro meses, e o caixa chegou a não cobrir um dia

Segundo laudo da ACFB Administração Judicial, perícia determinada pela Justiça de São Paulo no processo de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e divulgada em 6 de outubro de 2026, o estoque dado em garantia aos credores caiu de R$ 3,18 bilhões em abril para R$ 1,89 bilhão em agosto, queda de 40,5%. O quadro de pessoal passou de 29.737 pessoas em 3 de agosto para 25.090 no dia 28; o laudo ressalva que parte pode ser transferência interna. O menor saldo estimado como disponível em agosto foi de R$ 29 milhões, enquanto a empresa projetava desembolsos médios de R$ 34,5 milhões por dia útil. A perícia estimou necessidade de reforço de caixa entre R$ 212,7 milhões e R$ 257,1 milhões em cenários críticos de 30 dias. A empresa pediu recuperação judicial em 16 de agosto.

Leia de novo o número do caixa: R$ 29 milhões na conta para uma saída de R$ 34,5 milhões por dia. Uma das maiores varejistas do país chegou ao ponto em que o saldo não pagava um dia de operação. E o estoque, que deveria virar venda, estava amarrado como garantia de banco, então o produto vendido pagava o credor antes de pagar a loja. Você não tem R$ 29 milhões, mas tem a mesma conta para fazer: quantos dias de despesa o seu caixa aguenta sem vender nada? Se a resposta for menos de 30, esse é o primeiro número que você precisa olhar toda segunda-feira.

Fonte: Brasil 247

Crescendo na crise

Costco lucra US$ 9,2 bilhões no ano, e quase dois terços disso equivalem ao que ela cobra só pela carteirinha

A Costco divulgou em 26 de setembro de 2026 os resultados do ano fiscal encerrado em agosto: vendas de US$ 297,2 bilhões, alta de 10,1%, e lucro líquido de US$ 9,226 bilhões. A receita com anuidades de sócios somou US$ 5,91 bilhões no ano. No quarto trimestre, as vendas foram de US$ 93,9 bilhões e o lucro, de US$ 2,998 bilhões.

A Costco vende quase US$ 300 bilhões por ano com margem de atacado, que é quase nada. O que segura o lucro é a anuidade: US$ 5,9 bilhões que entram antes de o cliente pôr o primeiro produto no carrinho, o equivalente a 64% do lucro do ano. O cliente paga pelo direito de comprar. O dono pequeno não precisa de carteirinha, mas pode copiar a ideia: um plano mensal, um contrato de manutenção, um pacote recorrente. Receita que entra todo mês, antes da venda, é a que deixa você dormir quando o movimento cai.

Fonte: Pulse 2.0