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O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Juro de 2028 sobe de 12,9% para 14,5% em uma semana, e o Copom deve parar de cortar a Selic

Semana passada o mercado entrou em pânico. Esta semana a conta chega no balcão. O juro que os bancos usam de régua para emprestar a prazo longo, o DI de janeiro de 2028, saiu de 12,9% para 14,5% em cinco pregões. Tradução sem economês: o empréstimo que você ia pegar em janeiro para reformar a loja ficou mais caro antes de você assinar. E amanhã o Copom decide a Selic com o mercado apostando que os cortes param em 13,75%. Eu sei que dá medo. Só que medo é útil quando vira pergunta: o que na minha empresa depende de dinheiro emprestado, e o que dá para fazer com o caixa que eu já tenho? Não é hora de comprar a máquina nova em 48 parcelas nem de abrir a segunda loja no crédito. É hora de voltar ao básico: saber quanto entra, quanto sai e quanto sobra, toda semana. No resto da edição: a Serasa contou 84,2 milhões de brasileiros com o nome sujo, recorde, e o salário de outubro vence no sábado, 7. Nos Bastidores, a Chilli Beans foi renegociar R$ 340 milhões com os bancos, a Ambev mostrou que dá para lucrar mais vendendo quase o mesmo, e a Vale viu o lucro cair pela metade com a receita subindo.

JurosTem prazo

Juro futuro para janeiro de 2028 sobe de 12,86% para 14,5% na semana seguinte ao 2º turno; o de 2035 passa de 15%

A taxa do contrato de DI para janeiro de 2028, que serve de referência para o crédito de prazo mais longo, fechou a sexta-feira, 30 de outubro de 2026, em 14,5%, segundo a Reuters, publicada pela CNN Brasil. Na sexta anterior ao segundo turno, o ajuste era de 12,859%: a alta na semana foi de 164 pontos-base. O contrato para janeiro de 2035 fechou em 15,33%, com alta de 259 pontos-base na semana. No mesmo período, o dólar subiu mais de 40 centavos e fechou a sexta em R$ 5,44, a maior alta semanal desde 2008, segundo a Agência Brasil, citada pelo Sou Brasília. Também na sexta, o Banco Central informou déficit nominal do setor público de R$ 113,0 bilhões em setembro e de R$ 1,275 trilhão em 12 meses, equivalente a 9,51% do PIB.

O governo gasta mais do que arrecada, o mercado cobra mais para emprestar a ele, e o banco repassa para você. É a fila do juro, e a padaria está no fim dela. Quem estava esperando o juro cair para pegar capital de giro em 2027 acabou de ver a espera ficar mais cara. A dívida de prazo longo assinada nesta semana carrega o susto desta semana por anos.

O que fazer

Esta semana, não assine financiamento longo nem compre equipamento grande parcelado. Liste as dívidas atreladas ao CDI e calcule a parcela de 2027 com o juro de hoje, não com o que você esperava.

Fontes: CNN Brasil, com Reuters (30/10/2026), Sou Brasília (01/11/2026) · Capital de giro: quanto a empresa precisa

SelicTem prazo

Copom decide a Selic nesta quarta, 4 de novembro; opções da B3 dão 68,8% de chance de manutenção em 13,75%

O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne nesta terça e quarta-feira, 3 e 4 de novembro de 2026, e anuncia a decisão sobre a Selic na quarta. A taxa está em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto desde 19 de março. Segundo o Piranot, com base na CNN Brasil, as opções de Copom negociadas na B3 passaram a indicar 68,8% de chance de manutenção depois do segundo turno; antes da eleição, a chance de corte passava de 70%. Itaú, HSBC, C6 e BTG projetam pausa; Inter, ASA e Daycoval, corte de 0,25 ponto. Numa pesquisa da Bloomberg com 18 economistas, citada pelo Sou Brasília, 10 esperam manutenção. A ata sai na terça, 10 de novembro, e a próxima reunião é em 8 e 9 de dezembro.

Passamos o ano ouvindo que o juro ia cair devagar, mas ia cair. Bastou uma semana de dólar subindo para o "devagar" virar "vamos ver". O Banco Central não tem culpa do susto, mas quem paga a conta do susto é quem pegou dinheiro contando com o corte de dezembro.

O que fazer

Não conte com crédito mais barato até o fim do ano. Se o capital de giro que você planejava só fecha a conta com a Selic caindo, ele não fecha: corte o plano, não o caixa.

Fontes: Piranot, com CNN Brasil (02/11/2026), Sou Brasília (01/11/2026) · Como sair do vermelho

TrabalhoTem prazo

Salário de outubro vence no sábado, 7 de novembro, o quinto dia útil do mês por causa do feriado de Finados

O prazo para pagar o salário de outubro de 2026 termina no sábado, 7 de novembro, segundo o Concursos no Brasil de 29 de outubro. O artigo 459 da CLT manda pagar o salário mensal até o quinto dia útil do mês seguinte. Na contagem, domingo e feriado não entram, e o sábado entra. Como 1º de novembro foi domingo e 2 de novembro foi feriado de Finados, os dias úteis são 3, 4, 5, 6 e 7. Na prática, as empresas costumam antecipar para sexta, 6 de novembro, porque não há compensação bancária no sábado. O atraso sujeita a empresa a multa administrativa e correção do valor.

O feriado empurrou o prazo para o sábado, e o sábado é o dia em que o banco não compensa nada. A lei conta o sábado como dia útil; o seu banco, não. Quem deixar a folha para o último dia vai descobrir isso no domingo, com o funcionário perguntando cadê.

O que fazer

Pague a folha de outubro até sexta, 6. Se for por TED ou depósito, faça até quinta; por Pix, sexta ainda dá.

Fonte: Concursos no Brasil (29/10/2026) · Folha de pagamento: como fazer

ClientesFique de olho

Inadimplência bate recorde em setembro: 84,2 milhões de brasileiros negativados, e as financeiras passam as contas básicas

O número de brasileiros inadimplentes chegou a 84,2 milhões em setembro de 2026, recorde, contra 83,9 milhões em agosto, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, noticiado pelo Mercado & Consumo em 2 de novembro. As dívidas somaram R$ 597,4 bilhões, alta de 0,90% no mês, e a dívida média por pessoa ficou em R$ 7.093,83. Bancos e cartões de crédito respondem por 27,16% das dívidas. As financeiras ficaram em segundo lugar, com 20,66%, à frente das contas básicas de água, luz e gás, com 20,32%. A faixa de 41 a 60 anos concentra 35,7% dos inadimplentes.

Quando a financeira passa a conta de luz no ranking do calote, é sinal de que o cliente pegou empréstimo para pagar o que já devia. Esse é o mesmo cliente que vai entrar na sua loja na Black Friday pedindo para pagar em três vezes no boleto. Ele não é desonesto, está enforcado. E cliente enforcado paga primeiro quem cobra mais alto, nunca o fiado da loja da esquina.

O que fazer

Antes de vender a prazo no boleto, no carnê ou no fiado, consulte o CPF do cliente. Para quem já deve na sua loja, ofereça agora um acordo à vista no Pix com desconto: o primeiro credor a ligar é o primeiro a receber.

Fonte: Mercado & Consumo, com a Serasa (02/11/2026) · Cliente inadimplente: o que fazer

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões com os bancos

A Chilli Beans protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 340 milhões em dívidas financeiras com bancos, segundo o Times Brasil e o Metrópoles de 30 e 31 de outubro de 2026. O plano prevê um aporte de até R$ 50 milhões, financiado pelos próprios credores. Dívidas com fornecedores, funcionários e parceiros comerciais ficam fora do acordo. A rede tem cerca de 900 franquias no Brasil, segundo o Times Brasil, e abriu 13 pontos de venda em outubro. Em meados de outubro, a empresa havia deixado de pagar R$ 16,5 milhões em debêntures; entre agosto e setembro, negava discutir uma recuperação judicial. "Passamos por um momento difícil, mas saímos ainda mais fortes", disse o fundador e CEO, Caito Maia, ao Times Brasil.

Repare na ordem dos fatos: em setembro, "não há recuperação"; em outubro, debênture sem pagar; no fim do mês, a Justiça. E no mesmo mês da renegociação, 13 lojas novas. Crescer com dinheiro emprestado é ótimo enquanto o juro cai. Quando o juro para de cair, a loja nova vira parcela. A sua versão disso é a filial aberta no cheque especial. A lição não é "nunca cresça": é crescer com o que o caixa aguenta se o juro subir 2 pontos amanhã.

Fontes: Times Brasil (30/10/2026), Metrópoles (31/10/2026)

Crescendo na crise

Ambev vende 0,5% mais cerveja no Brasil e tem lucro normalizado 14,1% maior no 3º trimestre

A Ambev teve lucro líquido de R$ 4,37 bilhões no terceiro trimestre de 2026, acima da estimativa de R$ 3,9 bilhões dos analistas, segundo o BPMoney de 29 de outubro. O lucro normalizado foi de R$ 4,27 bilhões, alta de 14,1% em 12 meses. A receita líquida somou R$ 21,6 bilhões, com crescimento orgânico de 7,6%. O volume de cerveja no Brasil subiu 0,5%, e a receita por hectolitro no país cresceu 4,8%, segundo o Bradesco BBI. Mesmo assim, a ação caiu 4,4% no dia e fechou a R$ 14,55, porque o volume ficou abaixo do que o mercado esperava.

Vendeu quase a mesma quantidade e ganhou 14% mais. Não foi promoção, não foi campanha de volume: foi preço e custo. E o mercado ainda achou pouco, porque o mercado vive de volume. O dono pequeno não precisa viver. Num ano de juro alto e cliente apertado, a pergunta não é quanto você vende, é quanto sobra de cada venda. Se sobra pouco, vender em volume só aumenta o tamanho do problema.

Fonte: BPMoney (29/10/2026)

Dinheiro estranho

Vale fatura 2% mais e lucra 53% menos no 3º trimestre, com minério mais barato e frete, câmbio e diesel mais caros

A Vale teve lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% sobre um ano antes e de 9% sobre o trimestre anterior, segundo o InfoMoney de 29 de outubro. A receita líquida subiu 2%, para US$ 10,6 bilhões. O Ebitda ajustado caiu 24%, para US$ 3,32 bilhões, o que o InfoMoney atribui aos preços mais baixos do minério de ferro e a pressões de custo como frete, câmbio e diesel. A dívida líquida expandida ficou em US$ 16,4 bilhões.

A receita subiu e o lucro caiu pela metade. Isso acontece com mineradora gigante e acontece com o mercadinho: o preço que você recebe não depende de você, o diesel e o frete também não, e o que sobra no meio é a sua margem espremida. A Vale aguenta um trimestre assim. Você aguenta quantos? Quando o frete sobe, a tabela de preço precisa ser revista naquela semana, não no fim do ano.

Fonte: InfoMoney (29/10/2026)