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O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Senado aprova o fim da 6x1: mesmo salário, 4 horas a menos por semana

Ontem à noite o Senado aprovou por 75 a 1, em dois turnos na mesma sessão, o fim da escala 6x1. Quando a gente vê placar de 75 a 1, sabe que ninguém quis ficar do lado errado da foto, e a foto é bonita: dois dias de folga, jornada de 40 horas, salário intacto. O que não sai na foto é a conta. Cada hora do seu funcionário vai ficar 10% mais cara, a loja continua abrindo seis dias, e quem vai fechar essa escala é você, não o plenário. Não estou contra a folga de ninguém: estou contra a mania de decidir o custo em Brasília e mandar a fatura para o balcão sem nem dizer como o pequeno faz a transição. No resto do dia, o Simples de 2027 fecha hoje, e a renegociação do FGTS atrasado abriu às 8h. Nos Bastidores, duas empresas que cresceram ao mesmo tempo e terminaram em lugares opostos: a maior blindadora do país faturou 45% mais e foi pedir socorro aos credores, e uma distribuidora americana cresceu menos e lucrou mais. A diferença entre as duas cabe numa planilha de despesa.

TrabalhoTem prazo

Senado aprova a PEC do fim da escala 6x1: jornada cai para 42 horas 60 dias após a promulgação e para 40 horas um ano depois, sem redução de salário

O Senado aprovou em 14 de outubro de 2026, por 75 votos a 1, em dois turnos, a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. O texto vai à promulgação pelo Congresso, ainda sem data marcada. A jornada máxima semanal cai de 44 para 40 horas, com até oito horas por dia, e o trabalhador passa a ter dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução de salário. Segundo o texto aprovado, a transição é gradual: 60 dias após a publicação, o limite cai para 42 horas semanais; 12 meses depois disso, para 40 horas. Compensação de horários e redução de jornada podem ser feitas por acordo ou convenção coletiva, e o banco de horas continua permitido. Domingo trabalhado sem folga compensatória é pago em dobro. Segundo o relator, a carga horária de setores específicos ainda será regulamentada pelo Congresso.

Conta simples: quem trabalhava 44 horas vai trabalhar 40 pelo mesmo salário. A hora ficou 10% mais cara, e não foi o funcionário que fez isso, foi a regra. Para a empresa grande, é um ajuste de planilha. Para quem tem cinco pessoas e loja aberta de segunda a sábado, é escala que não fecha. Contrapartida para quem emprega foi pedida no plenário e ficou para depois, como sempre fica. A boa notícia, se dá para chamar assim, é que existe um prazo de 60 dias depois da promulgação. Quem usar esse tempo para refazer a escala com calma passa bem. Quem esperar o primeiro holerite novo vai descobrir no susto.

O que fazer

Esta semana: liste cada funcionário com as horas que ele faz hoje e marque quem passa de 42 e de 40 horas. Depois, desenhe a escala de 42 horas com dois dias de folga e confira com o contador o que a convenção coletiva do seu setor já permite (banco de horas, compensação).

Fontes: Agência Senado, O Tempo · O impacto do fim da 6x1 na pequena empresa

Simples NacionalTem prazo

Hoje, 15 de outubro, é o último dia para pedir a opção pelo Simples Nacional para 2027

A Resolução CGSN nº 194, publicada no Diário Oficial da União de 28 de setembro de 2026, fixou até 15 de outubro de 2026 o prazo para pedir a opção pelo Simples Nacional para 2027, com efeito a partir de 1º de janeiro de 2027. O pedido é feito no Portal do Simples Nacional. Se for indeferido por débito ou outra pendência, a regularização pode ser feita até 30 de outubro de 2026, mas o pedido precisa ser feito até hoje. A opção dos optantes pelo regime regular do IBS e da CBS no primeiro semestre de 2027 vai até 30 de outubro e não tira a empresa do Simples. Até a publicação desta edição não havia nova prorrogação publicada.

Último dia, e não é figura de linguagem. Amanhã quem não pediu fica um ano inteiro fora, pagando imposto pelo regime mais caro, por causa de uma tarefa de quinze minutos. Se a dívida é o motivo da dúvida, ela não é: pede hoje, acerta até o dia 30.

O que fazer

Hoje: se a sua empresa quer entrar no Simples em 2027, faça o pedido no Portal do Simples Nacional e guarde o recibo. Indeferido, acerte a pendência até 30 de outubro.

Fontes: Prefeitura de Porto Alegre (Receita Municipal), Agência Gov (Receita Federal) · Simples Nacional: como funciona

FGTSFique de olho

Renegociação do FGTS atrasado em dívida ativa abriu hoje às 8h no Regularize, com parcela mínima de R$ 100, ou R$ 25 para o MEI

A adesão ao Edital de Transação PGDAU nº 12/2026, da PGFN, para dívidas de FGTS e da contribuição social da Lei Complementar 110/2001 inscritas em dívida ativa, começou às 8h de 15 de outubro de 2026 e vai até as 19h de 29 de janeiro de 2027, pelo portal Regularize. Nas modalidades por capacidade de pagamento, os descontos chegam a 100% dos juros não destinados ao trabalhador, das multas e do encargo legal, limitados a 65% do valor inscrito; não há desconto sobre o que é devido ao trabalhador. O FGTS rescisório entra em até 12 parcelas, e o saldo em até 133 parcelas mensais, conforme o tipo de contribuinte. A parcela mínima é de R$ 25 para o MEI e de R$ 100 para os demais, corrigida pela Selic. A primeira parcela precisa ser paga até o último dia útil do mês da adesão, ou o acordo é cancelado.

A mesa abriu, e o desconto cai onde deve: no juro e na multa, nunca no dinheiro do funcionário. O detalhe que derruba acordo é bobo: aderiu no fim do mês e esqueceu o boleto da entrada, perdeu tudo. FGTS atrasado trava certidão, empréstimo e licitação, então isso aqui é destravar a empresa, não favor do governo.

O que fazer

Este mês: peça ao contador o extrato de débitos de FGTS no Regularize, simule as parcelas e, se aderir, pague a primeira até o último dia útil do mês.

Fonte: PGFN (transação do FGTS)

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Afundando

Maior blindadora do país fatura 45% mais e pede recuperação extrajudicial com R$ 371,5 milhões em dívidas

O grupo Carbon (C Blindados, Opera Glass e Vertco) pediu recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar R$ 371,5 milhões, segundo a Capital Aberto, em 7 de outubro de 2026. A receita líquida subiu de R$ 465 milhões em 2024 para R$ 673 milhões em 2025. Segundo a petição, a dívida custa em média cerca de 22% ao ano, R$ 139 milhões vencem em 12 meses e a geração de caixa é de R$ 52 milhões. Uma fábrica de vidros blindados em Jarinu (SP), de R$ 80 milhões, prevista para maio de 2025, só começou a operar em abril de 2026 e roda abaixo da metade da capacidade. Bancos e fundos respondem por 85% da dívida, e credores com 47,63% dos créditos já aderiram ao plano.

Faturou 45% mais e teve de pedir socorro aos credores. Não foi falta de cliente, foi prazo: a empresa pegou dinheiro curto e caro para construir uma fábrica que demorou um ano a mais para ficar pronta, e a dívida não esperou. É o erro que eu mais vejo no pequeno, só que com menos zeros: comprar a máquina nova ou abrir a segunda loja com capital de giro, ou no cheque especial, contando que o retorno vem antes do vencimento. Investimento de anos se paga com dinheiro de anos. Se a parcela vence antes do retorno chegar, o crescimento vira a corda.

Fonte: Capital Aberto

Crescendo na crise

Fastenal vende 15,5% mais no trimestre e lucra 20,2% mais, porque a despesa cresceu menos que a venda

A distribuidora americana de material industrial Fastenal teve vendas de US$ 2,46 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 15,5%, e lucro operacional de US$ 530,8 milhões, alta de 20,2%. A margem operacional subiu 0,9 ponto, para 21,5%, mesmo com a margem bruta caindo 0,4 ponto, para 44,8%, porque os clientes grandes compram com margem menor. O que compensou foram as despesas operacionais, que subiram 9,4%, abaixo do crescimento das vendas.

Repare que a margem bruta piorou: ela vendeu mais barato para os clientes grandes. E mesmo assim lucrou mais, porque segurou a despesa. Venda cresceu 15%, despesa cresceu 9%, e a diferença virou lucro. É a lição mais chata e mais rentável que existe para o dono pequeno: quando o faturamento sobe, a tentação é contratar, alugar, trocar de carro. Quem deixa a despesa correr atrás da venda trabalha mais para ganhar o mesmo.

Fonte: TradingKey (apresentação de resultados da Fastenal)