O que mudou hoje para quem tem empresa

· curadoria de Roberto Machado

Seis dias para negociar a dívida com a União com até 70% de desconto

Quarta-feira que vem, 30 de setembro, é o dia mais cheio do ano para quem tem assunto pendente com o governo. Fecha a opção pelo Simples, fecha a escolha entre Simples puro e híbrido e fecha, às 19h, a janela para negociar dívida ativa com a União com desconto. Três prazos no mesmo dia, todos caindo em cima do mesmo contador, que já não atende o telefone desde o dia 15. Se você tem débito inscrito, esta é a notícia da semana. O resto da pauta é o de sempre: a nota de serviço mudou de data de novo, o teto do MEI faz oito anos sem reajuste e o governo teve um agosto muito melhor que o seu.

TributosTem prazo

Negociação da dívida ativa com a União fecha em 30 de setembro, às 19h

O Edital PGFN nº 6/2026 aceita adesão até 30 de setembro de 2026, às 19h (horário de Brasília), pelo portal Regularize. Vale para dívidas inscritas em dívida ativa da União até 3 de março de 2026, somando até R$ 45 milhões. MEI, ME e EPP pagam entrada de 6% em até 12 vezes e o saldo em até 133 parcelas, com desconto de até 100% de juros, multas e encargos, limitado a 70% do total. O tamanho do desconto depende da classificação que a PGFN dá à capacidade de pagamento do devedor. Parcela mínima: R$ 25 para MEI e R$ 100 para os demais.

Repare na ordem dos fatores. Primeiro a União te cobra juro de Selic sobre o imposto atrasado, depois descobre que dívida velha vale pouco e te oferece perdoar exatamente esse juro. Não é generosidade, é a PGFN admitindo que prefere receber 30% hoje a correr atrás de 100% por dez anos. Para você, tanto faz o motivo: a janela é real e o desconto também. Só não confunda parcela pequena com dívida pequena. 133 parcelas são onze anos de boleto, e onze anos é tempo demais para carregar um passado que dá para pagar mais rápido.

O que fazer

Entre hoje no Regularize (regularize.pgfn.gov.br) com o CNPJ e veja se há débito inscrito. Se houver, simule: a simulação mostra o desconto antes de você assinar qualquer coisa. Não deixe para o dia 30. Portal de governo em último dia é fila, e o prazo acaba às 19h, não à meia-noite.

Fontes: PGFN, CRC-SP

Nota fiscalFique de olho

Nota de serviço do Simples passa para o Emissor Nacional em 1º de novembro

Pela Resolução CGSN nº 191/2026, microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional que prestam serviço sujeito a NFS-e passam a emitir a nota pelo Emissor Nacional, no site ou por integração via API, a partir de 1º de novembro de 2026. A data anterior, 1º de setembro, foi revogada. Algumas prefeituras migram antes: em São José dos Campos (SP), a emissão pelo sistema da prefeitura acaba em 1º de outubro.

A mudança já foi adiada uma vez, e o adiamento não foi presente para ninguém: foi o tempo que o próprio sistema precisou para ficar de pé. O que me incomoda é outra coisa. A regra é nacional, mas a data não é, porque cada prefeitura decide quando desliga o sistema dela. Resultado: o dono de uma empresa de serviço em São José dos Campos tem seis dias, o do município vizinho tem cinco semanas, e os dois só descobrem isso quando a nota não sai.

O que fazer

Pergunte hoje ao contador ou ao seu sistema de emissão se ele já emite pelo Emissor Nacional. Faça uma nota de teste em outubro, não em 31 de outubro. E confira no site da sua prefeitura se ela antecipa a troca.

Fontes: Receita Federal, Prefeitura de São José dos Campos

MEIPara saber

Teto do MEI e do Simples segue sem correção desde 2018, e 1.397 entidades cobram reajuste

Manifesto liderado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), com adesão de 1.397 entidades (18 federações e 1.378 associações comerciais), pede a atualização dos limites de faturamento, congelados desde 2018. A proposta leva o MEI de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil por ano e o Simples Nacional de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões. Por enquanto nada mudou: os limites continuam os mesmos.

Oito anos de teto parado é aumento de imposto que ninguém votou. O preço do que você vende sobe com a inflação, o limite não sobe, e um belo dia você está fora do MEI vendendo a mesma quantidade de coisa que vendia em 2018. Não é que você cresceu. É que a régua encolheu. Mil e quatrocentas entidades assinando é bonito, mas manifesto não corrige tabela. Planeje 2027 com o teto de hoje.

O que fazer

Some o faturamento de janeiro até hoje e projete até dezembro. Se a conta passar de R$ 81 mil, fale com o contador antes de estourar: passar do limite por pouco e passar por muito têm consequências diferentes, e as duas custam.

Fonte: Blog do Doc · Limite do MEI em 2026: o teto e o que acontece se passar

TermômetroPara saber

Movimento das pequenas e médias empresas cresce 1% em agosto, abaixo de 2022 a 2024

O IODE-PMEs, índice da Omie que mede a movimentação financeira real das pequenas e médias empresas, subiu 1,0% em agosto de 2026 sobre agosto de 2025, com 2,9% no acumulado do ano. Comércio cresceu 1,3%, indústria 0,8% e serviços 0,2%; infraestrutura caiu 2,2%. O ritmo segue abaixo do registrado entre 2022 e 2024.

Guarde esse 1% e leia o primeiro bastidor lá embaixo: no mesmo agosto, a arrecadação federal cresceu 8,25% acima da inflação. O juro caiu no jornal; no seu capital de giro, ainda não. O próprio economista da Omie diz que o efeito dos cortes vai ser sentido pelas pequenas empresas "adiante", que é o jeito educado de dizer que não vai ser este ano.

O que fazer

Compare o faturamento de agosto com o de agosto de 2025, descontada a inflação. Acima de 1%, você está melhor que a média. Abaixo, olhe primeiro o prazo que você dá aos clientes antes de pensar em baixar preço.

Fonte: E-Commerce Brasil · Fluxo de caixa para pequenas empresas

Bastidores

Enquanto isso, no mundo dos negócios

Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.

Dinheiro estranho

Arrecadação federal sobe 8,25% acima da inflação em agosto e chega a R$ 235,5 bilhões

A Receita Federal arrecadou R$ 235,5 bilhões em agosto de 2026, alta real de 8,25% sobre agosto de 2025. O setor de petróleo e gás saltou de R$ 871 milhões para R$ 14,4 bilhões, e IRPJ e CSLL somaram R$ 34,1 bilhões, alta real de 13,09%. No acumulado do ano, a arrecadação chega a R$ 2,112 trilhões, 7,12% acima de 2025 descontada a inflação.

O sócio que não trabalha na sua empresa teve um agosto excelente. Cresceu oito vezes mais que a pequena empresa média, sem abrir a loja, sem pagar folha e sem dormir mal. E é justamente o mesmo governo que não corrige o teto do MEI desde 2018. A lição para o dono pequeno é antiga e continua valendo: imposto sai do faturamento, não do lucro. Quando a margem aperta, esse sócio recebe a parte dele antes de você, todo mês, sem exceção. Por isso a conta da sua margem tem que ser feita com o imposto dentro, nunca por fora.

Fonte: Brasil 61

Crescendo na crise

Café fica 21% mais barato no mercado e o consumo volta a crescer

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o consumo no Brasil somou 13,69 milhões de sacas de janeiro a agosto de 2026, alta de 2,29% sobre o mesmo período de 2025, revertendo a queda de 5,4% do ano anterior. O quilo do café tradicional caiu 21,22% no varejo, de R$ 62,83 para R$ 49,50. A ABIC atribui a volta ao repasse da queda de preço depois de uma safra maior que a esperada.

O brasileiro não deixou de gostar de café em 2025. Deixou de pagar R$ 62 pelo quilo. Bastou o preço voltar para a xícara voltar junto, e isso diz mais sobre o seu cliente do que qualquer pesquisa de tendência. Agora a pergunta incômoda para quem tem cafeteria, padaria ou lanchonete: o café que você compra ficou um quinto mais barato. O preço do seu cardápio caiu junto? Se não caiu, tudo bem, é margem. Só saiba que é isso, e não confunda com o negócio ter melhorado sozinho.

Fonte: CaféPoint

Curiosidade

Só 35% de quem trabalha por conta própria ou emprega tem CNPJ, e ainda assim é recorde

Segundo a Pnad Contínua 2025, divulgada pelo IBGE em 23 de setembro, 35% dos empregadores e trabalhadores por conta própria tinham CNPJ em 2025, o maior percentual da série, contra 24% em 2012. A formalização vai de 46,7% no Sul a 15,6% no Norte, e é maior entre as mulheres (36,7%) que entre os homens (34,2%).

Dois em cada três competem com você sem nota, sem DAS e sem contador. Não é que sejam bandidos: é que o CNPJ ainda parece mais custo que proteção, e a gente acabou de ver por quê. Mas o informal tem um teto que você não tem. Ele não vende para empresa, não pega crédito barato e não cresce além do que cabe no bolso dele. Então pare de brigar com ele no preço, que é a única arma que ele tem, e vá buscar o cliente que exige nota.

Fonte: Metrópoles