Dólar tem a maior alta num dia desde 1999 e a bolsa cai 13,88%
Na segunda-feira depois da eleição, o dólar teve a maior alta num único dia desde 1999, a bolsa parou por meia hora no circuit breaker e os juros futuros subiram quase dois pontos. O mercado financeiro passou o dia inteiro gritando. Antes de você gritar junto, um número que ninguém pôs na manchete: mesmo com a disparada, o dólar ainda está mais barato do que estava em janeiro. Susto de bolsa se desfaz em semanas; o que fica é o repasse que o seu fornecedor vai tentar enfiar na tabela de novembro aproveitando o barulho. É isso que esta edição ajuda a segurar. No resto: o Copom decide a Selic em 4 de novembro, a nota de serviço do Simples muda de sistema no domingo, o tomate subiu 24,5% em um mês e novembro tem dois feriados em dia útil. Nos Bastidores, o varejo que vive de crédito perdeu metade do valor num dia, e quem fatura em dólar foi a única coisa verde do pregão.
CâmbioTem prazo
Dólar sobe 8,21% e fecha a R$ 5,40, a maior alta num dia desde 1999; Ibovespa cai 13,88% e aciona o circuit breaker
O dólar comercial fechou a R$ 5,403 em 26 de outubro de 2026, com alta de 8,21%, a maior valorização percentual num dia desde 13 de janeiro de 1999, segundo a Agência Brasil. Na máxima, chegou a R$ 5,605. O Ibovespa caiu 13,88%, para 176.608 pontos, a maior queda diária desde março de 2020, e o circuit breaker interrompeu as negociações pela manhã. O movimento foi a reação do mercado à reeleição do presidente, que parte dos investidores não esperava. Mesmo com a alta do dia, o dólar acumula queda de 1,57% em 2026; em outubro, sobe 4,40%. O JP Morgan vê o dólar em R$ 5,50 num cenário de piora, segundo o Seu Dinheiro.
O mercado financeiro tem um talento: passar meses jurando que sabia o resultado e, quando erra, cobrar a conta do país inteiro num pregão. Para o dono de empresa, o pânico da bolsa não é problema seu. O problema é o fornecedor que importa insumo, vê a manchete e manda tabela nova com 10% a mais "por causa do dólar", mesmo que a mercadoria dele tenha sido comprada a R$ 5 três meses atrás. Dólar de um dia não é custo de estoque velho. Quem aceita repasse no susto paga duas vezes: no aumento e no desconto que nunca volta quando o dólar cai.
O que fazer
Esta semana: liste os itens que você compra com custo em dólar (importados, eletrônicos, embalagem, insumo de trigo e plástico). Peça cotação com validade por escrito antes de fechar pedido novo, e se chegar reajuste, pergunte qual estoque ele está repassando. Se você vende produto importado, não remarque a prateleira inteira num dia: reveja só o que vai repor agora.
Juros futuros longos sobem quase 2 pontos num dia, e o Copom decide a Selic em 3 e 4 de novembro
Os juros futuros de prazo longo chegaram a subir quase 200 pontos-base em 26 de outubro de 2026, e a taxa do contrato de janeiro de 2031 atingiu 14,46%, o limite de oscilação do dia, segundo o Seu Dinheiro. Os juros curtos subiram cerca de 40 pontos. A Selic está em 13,75% ao ano, e analistas não descartam nova alta. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne em 3 e 4 de novembro, com a decisão divulgada no segundo dia, à noite. Os juros futuros servem de referência para o custo do crédito prefixado que os bancos oferecem às empresas.
Juro futuro é a aposta do mercado sobre quanto vai custar o dinheiro daqui a alguns anos, e na segunda ele apostou alto. O banco não demora a passar essa aposta para a sua proposta de capital de giro: a taxa prefixada de amanhã já embute o susto de ontem. O gerente que te ligava oferecendo crédito vai continuar ligando, só que mais caro, e com um argumento novo: "feche agora antes que piore". Talvez piore, talvez não. Quem decide crédito no dia do pânico decide pelo gerente.
O que fazer
Se você precisa de capital de giro, peça a proposta por escrito agora e compare de novo depois de 4 de novembro, quando sai a decisão do Copom. Antes de pegar dinheiro emprestado, veja se o buraco se fecha cobrando antes: entrada maior, prazo menor ou desconto no Pix à vista.
Domingo, 1º de novembro: ME e EPP do Simples passam a emitir a nota de serviço só pelo Emissor Nacional, sem nova prorrogação
Pela Resolução CGSN nº 191/2026, microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional que prestam serviços sujeitos à NFS-e passam a emitir a nota pelo Emissor Nacional (aplicação web ou integração via API) a partir de 1º de novembro de 2026. Até 27 de outubro, nenhuma nova resolução havia alterado a data. O MEI não entra nessa regra, porque já emite pelo padrão nacional. A parte do IBS e da CBS na nota das empresas do Simples só começa em 1º de janeiro de 2027.
Terceira edição seguida com o mesmo aviso, e vou repetir até domingo: quem ainda não emitiu uma nota de teste está contando com a sorte num sistema do governo, na semana em que todo mundo vai fazer a mesma coisa ao mesmo tempo. Sexta à tarde não é prazo, é fila.
O que fazer
Até quinta, 29: emita uma nota de teste no Emissor Nacional. Se o seu sistema de gestão emite as notas, peça ao fornecedor a confirmação por escrito de que ele já usa o padrão nacional.
Prévia da inflação de outubro: alimentação em casa sobe 1,01%, tomate 24,54% e diesel 3,70%; 12 meses passam do teto da meta
O IPCA-15 de outubro de 2026 subiu 0,32%, contra 0,70% em setembro, e acumula 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%, segundo o IBGE, em dados divulgados em 23 de outubro pela Agência Brasil. A alimentação no domicílio subiu 1,01%, puxada por tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata (10,96%) e arroz (5,80%). Os combustíveis subiram 1,2%, com diesel em alta de 3,70% e etanol de 2,73%. A energia elétrica residencial caiu 0,89% com a bandeira verde.
A inflação do mês caiu pela metade e a da sua cozinha dobrou. Índice geral é média de quem viaja de avião com quem compra tomate, e quem tem restaurante, lanchonete ou marmitaria só compra tomate. Somando o diesel, que encarece todo frete, e o dólar de ontem, novembro chega com custo novo. Quem não refez a conta do prato em outubro está trabalhando de graça em algum item do cardápio e ainda não sabe qual.
O que fazer
Se você vende comida, refaça esta semana o custo dos 5 pratos ou produtos que mais vendem com o preço de compra de hoje. Onde a margem caiu, troque o ingrediente da vez ou ajuste o preço antes da Black Friday, não depois.
Dia do Servidor não é feriado para empresa privada; novembro tem Finados na segunda (2) e Consciência Negra na sexta (20)
O Dia do Servidor Público é ponto facultativo do serviço público, não feriado: para os órgãos federais, cai na quarta, 28 de outubro, pela Portaria MGI nº 11.460/2025, e vários governos e tribunais transferiram a folga para sexta, 30 (entre eles o governo de Rondônia e a prefeitura de São Paulo), segundo o Jornal do Brasil. A portaria federal não regula o funcionamento de empresas privadas. Em novembro, há três feriados nacionais: Finados na segunda-feira, 2; Proclamação da República no domingo, 15; e Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra na sexta-feira, 20, feriado nacional desde a Lei nº 14.759/2023.
Todo ano tem funcionário convencido de que a folga do servidor vale para ele, e todo ano tem dono que descobre na véspera que o feriado da segunda emendou com o fim de semana da equipe inteira. Os dois feriados de novembro caem colados no fim de semana, e um deles na semana da Black Friday. Escala feita na sexta à noite vira hora extra em dobro, cliente sem atendimento ou as duas coisas.
O que fazer
Hoje: avise a equipe que 28 e 30 de outubro são dias normais de trabalho na empresa privada. Até sexta: monte a escala de 2 e 20 de novembro. Quem trabalhar no feriado tem folga em outro dia ou recebe o dia em dobro; se você é do comércio, confira na convenção coletiva da sua cidade as regras para abrir em feriado.
Quem está afundando, quem cresce no meio da crise e o dinheiro que sumiu (ou apareceu) pelo caminho.
Afundando
Magazine Luiza perde 58,23% na bolsa em um dia; Vamos, Hapvida, C&A e Cosan caem entre 46% e 57%
As ações da Magazine Luiza (MGLU3) caíram 58,23% em 26 de outubro de 2026, a maior queda do Ibovespa no dia, segundo a CNN Brasil. Na sequência vieram Vamos (-56,79%), Hapvida (-54,93%), C&A (-47,47%) e Cosan (-46,73%). Segundo a CNN Brasil, o varejo está entre os setores mais expostos aos juros, que dispararam na sessão.
Metade do valor de uma das maiores varejistas do país evaporou entre o café da manhã e o jantar, e não foi porque ela vendeu menos geladeira na segunda. Foi porque o negócio de quem vende parcelado e deve ao banco depende do preço do dinheiro, e o preço do dinheiro subiu num dia. A lição para o dono pequeno não é sobre bolsa. É sobre de quem você depende: se a sua venda só fecha com crédito barato para o cliente e a sua operação só gira com crédito barato para você, os juros são o seu sócio majoritário. E sócio que manda sem pôr dinheiro é o pior que existe.
No dia do circuit breaker, só seis ações do Ibovespa subiram, todas de exportadoras: Suzano ganhou 9,15% e Embraer 7,29%
Em 26 de outubro de 2026, com o Ibovespa em queda de 13,88%, seis ações do índice fecharam em alta, todas de empresas exportadoras que se beneficiam do dólar mais alto, segundo o Seu Dinheiro: Suzano (+9,15%), Embraer (+7,29%), Vale (+3,26%), WEG (+3,00%), Klabin (+1,81%) e Bradespar (+1,05%). O dólar subiu 8,21% no mesmo dia.
No dia em que a bolsa inteira sangrou, quem fatura em dólar e paga as contas em real saiu no lucro. Não é mérito de um dia: é uma decisão tomada anos antes, de não depender de uma moeda só. O dono pequeno quase sempre vive o contrário, com custo em dólar escondido no insumo e receita toda em real. A lição não é virar exportador. É saber, com número, quanto do seu custo anda junto com o dólar, para que o próximo susto chegue na sua planilha antes de chegar no seu caixa.