
Modelo de Carta de Cobrança Pronto para Baixar e Enviar
Baixe o modelo de carta de cobrança pronto para editar e veja como cobrar com tato: os 3 níveis, o que o CDC proíbe e quando partir para o protesto.

Cobrar não é declarar guerra ao cliente. É lembrar alguém, na maioria das vezes honesto, de um compromisso que ele provavelmente pretende cumprir. A empresa que trata todo devedor como caloteiro perde duas vezes: não recebe e ainda queima um cliente que voltaria a comprar.
Este guia traz o modelo de carta de cobrança pronto para baixar, os três níveis de tom (do lembrete amigável à notificação extrajudicial), o que o Código de Defesa do Consumidor proíbe você de escrever e quando faz sentido partir para o protesto. Tudo para receber sem destruir a relação.
O QUE É UMA CARTA DE COBRANÇA E QUANDO USAR
Carta de cobrança é o documento formal que comunica ao cliente uma dívida vencida e solicita o pagamento. Registra o valor, o vencimento, a origem do débito e o prazo para regularizar. Diferente de uma mensagem solta no WhatsApp, ela serve como prova de que a empresa cobrou, na data e na forma corretas.
Nem toda cobrança começa com carta. O primeiro toque costuma ser um lembrete leve, por WhatsApp ou e-mail, e a carta formal entra depois. No método EmpresaPro, cada canal tem a sua pasta e o seu momento:
Carta formal · 📁 07.10
- Enviada com AR (Aviso de Recebimento dos Correios)
- Quando o lembrete informal não resolveu
- Valor relevante ou cliente reincidente
- Você precisa de prova documentada da cobrança
- Último passo amigável antes do protesto
Lembrete rápido · 📁 07.11 e 07.12
- WhatsApp, e-mail, SMS ou ligação
- Primeiro toque, atraso ainda recente
- Tom leve, presume esquecimento, não calote
- Relação próxima e valor menor
- Script de telefone fica na 📁 07.11; lembrete de vencimento na 📁 07.12
Antes de qualquer técnica, uma convicção que carrego há mais de duas décadas: a maioria das pessoas é honesta. Quem está devendo, quase sempre, está passando por um aperto, não tentando te enganar. Tratar todo mundo com desconfiança afasta justamente o cliente bom, aquele que ia te pagar e ainda voltaria a fazer negócio. Cobrança boa é firme no conteúdo e respeitosa no tom.
O QUE NÃO PODE FALTAR NA CARTA
Uma carta de cobrança eficiente é objetiva e completa. Ela informa sem ofender e deixa claro o que se espera do cliente. Estes são os itens que não podem ficar de fora:
- Identificação do credor e do devedor: nome ou razão social, CNPJ ou CPF
- Origem da dívida: número da nota fiscal, contrato ou pedido que gerou o débito
- Valor original, data de vencimento e quantidade de dias em atraso
- Valor atualizado: principal mais juros e multa, se previstos em contrato
- Prazo claro para regularização (por exemplo, 5 dias úteis a partir do recebimento)
- Forma de pagamento e dados para quitação (PIX, boleto, dados bancários)
- Consequências objetivas do não pagamento, sem ameaça nem exagero
- Um canal aberto para negociação e a ressalva de desconsiderar se já houve pagamento
- Data, assinatura do responsável e, no envio com AR, o comprovante de entrega
Sempre deixe a porta da negociação aberta
Uma frase do tipo "caso enfrente dificuldade para quitar o valor, entre em contato para encontrarmos uma solução" converte mais do que qualquer ameaça. Quem está devendo e se sente acolhido negocia. Quem se sente acuado se esconde.
MODELO DE CARTA DE COBRANÇA PRONTO PARA BAIXAR
Baixe o modelo em Word, edite os campos indicados e envie. Ele já vem com o tom certo: firme no valor e na data, respeitoso na forma, com espaço para o convite à negociação.
Documento Comercial
CARTA DE COBRANÇA
Método EmpresaPro | Pasta 📁 07.10
[Cidade], ___ de _____________ de _____.
De (Credor)
Razão Social: ___________________
CNPJ: ___________________
Para (Devedor)
Nome / Razão Social: ___________________
CNPJ / CPF: ___________________
Assunto: Comunicado de débito em aberto e solicitação de regularização.
Prezado(a) [Nome],
Consta em nossos registros o débito abaixo, referente a [origem: nota fiscal, contrato ou pedido]. Solicitamos, com cordialidade, a regularização no prazo de [5] dias a partir do recebimento desta.
Detalhamento do débito
Documento / Origem: ___________________
Vencimento: ___/___/______ · Dias em atraso: _______
Valor original: R$ __________
Encargos (juros 1% ao mês + multa 2%): R$ __________
Valor atualizado para pagamento: R$ __________
Pagamento via [PIX / boleto]: ___________________.
Caso já tenha efetuado o pagamento, favor desconsiderar este comunicado. Em caso de dificuldade para quitar o valor, entre em contato pelo telefone [____] para encontrarmos juntos a melhor solução.
Atenciosamente,
___________________________
[Responsável] · [Empresa]
OS 3 NÍVEIS DE COBRANÇA: AMIGÁVEL, FORMAL E EXTRAJUDICIAL
Cobrança inteligente é escalonada. Você não dispara a artilharia no primeiro dia de atraso, nem fica mandando "lembretinho" por seis meses. Cada nível tem um tom e um objetivo. A gestão de cobrança consiste em saber em qual nível está cada cliente e quando avançar.
1. Amigável
Logo após o vencimento
Lembrete leve por WhatsApp ou e-mail. Presume boa-fé: "pode ter passado". Sem encargos no tom.
2. Formal
Atraso persistente
A carta de cobrança com AR. Valor atualizado, prazo definido e registro documentado da cobrança.
3. Extrajudicial
Última chance amigável
Notificação pré-jurídica. Avisa, de forma objetiva, sobre protesto e cobrança judicial.
Repare numa coisa que poucos cobradores enxergam: a lei já tem um sistema de execução pronto para o caso de o pior acontecer. Isso liberta você para fazer o papel mais inteligente, o de conciliador. Quem sabe que tem a via judicial garantida no fim da linha pode negociar com calma no começo, porque não está desesperado. Cobrar com tato não é fraqueza: é o caminho mais curto e mais barato até receber.
COMO ENVIAR E QUANDO ESCALAR PARA PROTESTO OU JUDICIAL
A diferença entre cobrança extrajudicial e judicial é simples: a extrajudicial acontece fora do tribunal (carta, notificação, protesto em cartório) e a judicial é a ação na Justiça para executar a dívida. Quase sempre vale esgotar a via extrajudicial primeiro: é mais rápida, mais barata e preserva a relação. Veja a sequência em quatro passos.
Comece pelo lembrete amigável
Antes ou logo após o vencimento
Passo 1 de 4
Uma mensagem cordial resolve a maioria dos atrasos, que são puro esquecimento ou desorganização. Use WhatsApp ou e-mail, presuma boa-fé e ofereça o canal de pagamento na mesma mensagem. Quanto mais fácil pagar, mais gente paga.
Envie a carta formal com AR
Quando o lembrete não resolveu
Passo 2 de 4
A carta com Aviso de Recebimento prova que o cliente foi formalmente cobrado, com data. Traga o valor atualizado, um prazo claro e o convite à negociação. Guarde uma cópia da carta e o comprovante do AR na pasta 📁 07.10.
Notifique e proteste em cartório
Cobrança extrajudicial firme
Passo 3 de 4
Sem resposta, uma notificação extrajudicial avisa que o título seguirá para protesto. O protesto em cartório costuma ser eficaz: o impacto no crédito faz muita dívida parada ser quitada antes de virar processo. Use como aviso real, nunca como blefe.
Parta para a cobrança judicial
Última instância
Passo 4 de 4
Esgotado o resto, entra a ação de execução ou de cobrança. Aqui o dossiê que você montou (nota, contrato, carta, AR, protesto) é o que sustenta o processo. Cobrança bem documentada desde o início é o que torna a judicial viável.
Régua de cobrança: a versão automatizada disso tudo
Empresas com muitos clientes não cobram na mão: montam uma régua de cobrança, a sequência automatizada de lembretes e cartas disparada por dias de atraso (3 dias, 7 dias, 15 dias, 30 dias). A cobrança automatizada padroniza o tom, não esquece ninguém e libera o dono para tratar só dos casos que precisam de conversa. O modelo deste artigo é a base do nível formal dessa régua.
O QUE NÃO ESCREVER: COBRANÇA VEXATÓRIA É CRIME
Aqui mora o erro que transforma o credor em réu. O Código de Defesa do Consumidor proíbe expor o devedor a constrangimento ou ameaça. Cobrar é seu direito. Humilhar, não. Passar dessa linha pode gerar indenização por dano moral e até processo criminal.
O que o CDC proíbe na cobrança (e custa caro)
- Expor o devedor: avisar familiares, vizinhos, o chefe ou os clientes dele. A dívida é entre as partes, não um anúncio público.
- Ameaçar: "vou acabar com seu nome", ou prometer protesto e ação que você não vai fazer. Ameaça e blefe são tiro no pé.
- Constranger por horário ou local: cobrar na frente de terceiros, em horários abusivos ou de forma repetitiva e perturbadora.
- Usar linguagem ofensiva: apelidos, ironias agressivas, caixa alta gritando. O tom firme não precisa de grosseria.
- Cobrar valor indevido: juros acima do contratado ou cobrança em duplicidade. O CDC (art. 42) prevê devolução em dobro do valor cobrado a mais.
Eu aprendi tudo isso do jeito difícil. Em 2008, várias empresas que compravam da minha distribuidora de doces quebraram ou entraram em apuros e levaram parte do meu caixa junto. Em vez de simplesmente processar todo mundo, montei uma empresa de marketing que fazia campanha com moto de som e internet para bares, padarias e bingos: a ideia era ajudar o cliente a vender mais para que ele conseguisse me pagar. Era jovem e atrevido, e funcionou mais do que a média esperaria. Foi nesse período, num blog corporativo da própria distribuidora criado para capacitar os meus clientes, que o EmpresaPro nasceu. Tomei muito calote, sim. Mas recuperei muito mais do que perdi, e a lição ficou: cliente bem escolhido e bem tratado paga, mesmo na crise.
“Recuperei muito mais investimento do que perdi em calote, e não foi só vendendo: foi vendendo bem, para as pessoas certas. Quem escolhe com quem faz negócio é o empresário. A boa cobrança começa nessa escolha, não na carta.”
Roberto Machado
Fundador EmpresaPro
ONDE GUARDAR E O QUE VEM DEPOIS
A carta enviada e o comprovante do AR são prova. Guarde os dois na pasta 📁 07.10 do sistema de gestão documental, junto ao histórico daquele cliente. Se um dia o caso for para a Justiça, esse dossiê é o que sustenta a cobrança.
Quando a cobrança escala, dois caminhos se abrem. Se o cliente é recorrente e a relação vale a pena, o foco é negociar: o guia de como lidar com cliente inadimplente trata do lado humano e da renegociação. Se o título foi a protesto e o cliente quitou, você vai precisar liberar o nome dele: veja o modelo de carta de anuência para baixa de protesto. E para dar quitação formal do que foi pago, use o modelo de recibo comercial.
No fim, cobrança é parte da saúde do caixa. Se a inadimplência já apertou as contas, o guia de como sair do vermelho e o guia de gestão financeira da PME mostram como recompor o fôlego financeiro da empresa.
Perguntas Frequentes
Q:O que escrever em uma carta de cobrança?
A carta deve identificar credor e devedor, descrever a origem da dívida (nota, contrato ou pedido), o valor original, o vencimento, o valor atualizado com juros e multa, um prazo claro para pagamento e a forma de quitação. Deve trazer ainda um convite à negociação e a ressalva de desconsiderar caso o pagamento já tenha sido feito. Tom firme no conteúdo, respeitoso na forma.
Q:Posso cobrar juros e multa de cliente em atraso?
Sim, desde que previstos em contrato ou no documento da venda. O padrão comercial mais comum é multa de 2% sobre o valor em atraso, mais juros de 1% ao mês. Cobrar acima do contratado é cobrança indevida e o Código de Defesa do Consumidor prevê devolução em dobro do valor cobrado a mais.
Q:Qual a diferença entre cobrança extrajudicial e judicial?
A cobrança extrajudicial acontece fora do tribunal: lembretes, carta de cobrança, notificação e protesto em cartório. A judicial é a ação na Justiça para executar a dívida. Quase sempre vale esgotar a via extrajudicial primeiro, porque é mais rápida, mais barata e preserva a relação com o cliente.
Q:Cobrar cliente que expõe ou ameaça dá processo?
Pode dar, sim. O Código de Defesa do Consumidor proíbe expor o devedor ao ridículo ou submetê-lo a ameaça e constrangimento. Avisar terceiros sobre a dívida, usar linguagem ofensiva ou ameaçar pode gerar indenização por dano moral e até responsabilização criminal. Cobrar é direito; humilhar não é.
Produzido por Roberto Machado com assistência de IA e revisão editorial.
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