CMV: O Que É e Como Calcular o Custo da Mercadoria Vendida
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CMV: O Que É e Como Calcular o Custo da Mercadoria Vendida

Aprenda como calcular o CMV passo a passo com a fórmula do inventário, exemplo numérico, calculadora grátis e as faixas de referência por setor.

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Foto de Roberto Machado
Por Roberto Machado11 jun, 26 | Leitura: 9 min

Você vendeu o mês inteiro, a loja não parou, e no fim sobrou quase nada. Antes de culpar imposto, aluguel ou funcionário, olhe para a linha que mais come a sua receita: o CMV, o custo da mercadoria vendida. Em quase todo comércio, é a maior despesa da empresa. E é também a que menos gente calcula direito. Neste guia eu mostro a fórmula, o passo a passo com exemplo numérico e a calculadora para fazer a conta com os seus números, agora.

E mostro o que a fórmula não conta sozinha: onde perda, furto e desperdício se escondem dentro do CMV, e por que um estoque final contado errado faz você comemorar um lucro que não existe.

O QUE É CMV (E POR QUE ELE DECIDE O SEU LUCRO)

O que é CMV?

CMV é o Custo da Mercadoria Vendida: quanto custou, a preço de compra, aquilo que saiu da prateleira no período. Não é tudo que você comprou, e não é tudo que está no estoque. É só o custo do que efetivamente foi vendido.

A distinção parece miúda, mas é ela que separa quem conhece o próprio lucro de quem chuta. Comprar R$ 50.000 de mercadoria num mês não significa ter R$ 50.000 de custo naquele mês: parte virou estoque e só vira custo quando vender. O CMV faz esse acerto de contas.

Dependendo do que a empresa vende, a sigla muda de roupa, mas a lógica é a mesma:

CMV

Custo da Mercadoria Vendida

Comércio: o custo de comprar o que foi revendido.

CPV

Custo do Produto Vendido

Indústria: matéria-prima mais a mão de obra direta de produzir.

CSP

Custo do Serviço Prestado

Serviços: o que custa executar (equipe técnica, material aplicado).

Na DRE, o CMV é a primeira coisa que a receita paga. O que sobra depois dele é o lucro bruto, e é desse lucro bruto que saem aluguel, equipe, marketing, contador e, com sorte, o seu resultado. CMV errado para cima e você acha que o negócio vai mal. Errado para baixo e você distribui um lucro que nunca existiu. Quem já fecha uma DRE simples todo mês sabe: essa linha define o jogo.

COMO CALCULAR O CMV PASSO A PASSO

O método clássico é o do inventário periódico, e ele pede só três números: o estoque do começo do período, as compras feitas dentro dele e o estoque que sobrou no fim. A lógica é de padaria: tudo que estava na prateleira mais tudo que entrou, menos o que ainda está lá, é o que saiu.

A fórmula

CMV = Estoque inicial + Compras do período − Estoque final

Os 4 passos do cálculo
Anote o estoque inicial

O ponto de partida

Passo 1 de 4

O valor do estoque no primeiro dia do período, a preço de custo: o que você pagou, não o que pretende vender. Use sempre o mesmo período em toda a conta, um mês ou um ano.

Exemplo com números redondos

Uma loja começa o mês com R$ 20.000 em mercadoria. Compra mais R$ 35.000 durante o mês, já com frete. Na contagem do último dia, sobram R$ 18.000 na prateleira. A receita líquida do mês foi R$ 80.000. A montagem fica assim:

LinhaValor
Estoque inicialR$ 20.000
(+) Compras do períodoR$ 35.000
(=) Mercadoria disponívelR$ 55.000
(−) Estoque finalR$ 18.000
(=) CMVR$ 37.000
CMV sobre a receita (R$ 80.000)46,3%
Lucro brutoR$ 43.000

De cada real vendido, 46 centavos voltaram para o fornecedor. Os 54 que sobraram pagam toda a operação. Quer fazer essa conta com os seus números? Use a calculadora abaixo: ela monta o CMV na mesma ordem da tabela e já devolve o percentual com a leitura do resultado.

Calculadora de CMV

Quanto custou a mercadoria que você vendeu no período: estoque inicial + compras − estoque final

Estoque inicial do período
R$
Compras do período
R$
Estoque final do período
R$
Receita líquida do período (opcional)
R$

Preencha estoque inicial e compras para ver o CMV

Calculadora para fins didáticos e de gestão. O CMV aqui é o gerencial, pelo método do inventário periódico: depende de contagem de estoque correta e de todas as compras lançadas. Para fins fiscais e contábeis (apuração de lucro real, por exemplo), vale o cálculo do seu contador. As faixas de leitura são referências genéricas e variam muito por setor. A responsabilidade pela exatidão é sempre do usuário e do profissional responsável.

Calculadora em tela cheia

A mesma calculadora está disponível em página própria, com a explicação de cada campo e a leitura completa do resultado: Calculadora de CMV grátis. Salve nos favoritos para o fechamento de cada mês.

CMV SOBRE A RECEITA: QUANTO É UM NÚMERO BOM

Não existe CMV ideal universal: existe a faixa do seu setor. Supermercado vive de giro e opera com CMV altíssimo; restaurante vive de transformação e opera com CMV baixo. Comparar a sua loja com a tabela errada gera pânico ou euforia, os dois sem motivo.

SetorCMV típico sobre a receita
Restaurantes e lanchonetes28% a 38% (o famoso food cost)
Vestuário e calçados40% a 55%
Varejo em geral50% a 70%
Supermercados e distribuição70% a 82% (lucro vem do giro)

São faixas de referência, não sentença: dentro do mesmo setor, posicionamento muda tudo. A comparação que vale mais não é com a tabela. É com o seu próprio número do mês passado. CMV subindo três meses seguidos tem só duas explicações: fornecedor aumentou e você não repassou, ou tem mercadoria sumindo do estoque. As duas exigem ação, e as duas aparecem no indicador meses antes de aparecer no saldo do banco.

É também por isso que o CMV anda de mãos dadas com a precificação: o markup que você aplica na etiqueta parte do custo da mercadoria. Se o CMV real é maior do que o custo que você usou na conta do preço, a margem que você acha que tem não existe.

ONDE O CMV ESCONDE DINHEIRO: AS TRÊS PEGADINHAS

A fórmula é de terceiro ano do primário. O erro nunca está na conta: está nos números que entram nela. São três as armadilhas que eu mais encontro.

1. Estoque final contado de cabeça

Estimar o estoque final em vez de contar infla ou esmaga o CMV na mesma proporção do chute. O caso mais perigoso é o estoque inflado: o CMV parece menor, o lucro parece maior, e o dono retira um dinheiro que a empresa não gerou. Inventário não é burocracia, é a base da conta.

2. Perda, furto e desperdício invisíveis

Mercadoria que venceu, quebrou ou sumiu não aparece em relatório nenhum, mas reduz o estoque final e infla o CMV. Se o seu percentual está acima da faixa do setor e o preço de compra está sob controle, o vazamento costuma estar aqui. O CMV é o primeiro lugar onde o furto aparece em número.

3. Compra misturada com despesa

Frete sobre compras faz parte do CMV e quase sempre é esquecido. Já o material de escritório, a impressora e o computador entram por engano. O resultado é um custo de mercadoria que não reflete a mercadoria, e uma margem bruta que mente para os dois lados.

CMV NA PRÁTICA DA PME: A ROTINA QUE FUNCIONA

Nos casos que acompanhei nesses 25 anos, a diferença entre quem domina o CMV e quem apanha dele nunca foi software caro. Foi rotina. Três hábitos resolvem:

1. Inventário no último dia do mês

Contagem física, a preço de custo, sempre no mesmo dia. Em loja pequena, são duas ou três horas com a equipe. Quem acha caro parar para contar deveria calcular o custo de decidir preço, compra e retirada em cima de um número inventado.

2. Compras anotadas com frete, no mês em que entraram

Toda nota de compra de mercadoria do período, somada, com o frete junto. Devolução a fornecedor sai da conta. Compra de uso interno vai para despesa, não para cá.

3. O percentual anotado na mesma planilha, todo mês

No método EmpresaPro, o CMV mensal mora junto com a DRE na pasta 📁 07.09 do Arquivo Gestor, dentro da área Financeiro. Não é capricho de organizado: é o histórico que transforma um número solto em diagnóstico. O CMV de junho não diz nada sozinho. A série de janeiro a junho mostra o fornecedor subindo preço, a perda crescendo ou a margem derretendo, com meses de antecedência.

O CMV é onde o dinheiro da empresa some sem pedir licença. Fornecedor que aumentou, mercadoria que venceu, funcionário que levou: tudo se esconde na mesma linha. Quem calcula todo mês enxerga o vazamento. Quem não calcula, financia.

Roberto Machado

Consultor empresarial, +1.500 empresários atendidos

Perguntas Frequentes sobre CMV

As dúvidas que chegam toda semana de quem está fechando o primeiro inventário

Q:Qual a diferença entre CMV e CPV?

CMV é o custo da mercadoria vendida, usado no comércio: o que custou comprar aquilo que foi revendido. CPV é o custo do produto vendido, usado na indústria: matéria-prima mais mão de obra direta e custos de produção. Em serviços, o equivalente é o CSP, custo do serviço prestado. A fórmula do inventário funciona nos três casos; muda apenas o que entra como custo.

Q:Como calcular o CMV sem sistema de controle de estoque?

Pelo método do inventário periódico, que é exatamente o deste guia: conte o estoque no início do período, some as compras e desconte o estoque contado no fim. Precisa de uma planilha e de disciplina para contar, nada mais. Sistema de gestão automatiza a contagem, mas a fórmula é a mesma; e mesmo quem tem sistema deveria conferir com contagem física de tempos em tempos, porque o sistema não enxerga quebra nem furto.

Q:CMV é custo fixo ou variável?

Variável, e é o maior deles: o CMV cresce e diminui junto com as vendas. Vendeu mais, repôs mais mercadoria, CMV maior. Por isso ele é tratado separado das despesas fixas (aluguel, salários administrativos) na DRE e na formação de preço: o preço de venda precisa cobrir o CMV daquela unidade e ainda deixar margem para as despesas que não variam.

Q:Meu CMV está alto demais. O que fazer primeiro?

Investigue nesta ordem: primeiro o estoque final (contagem errada é a causa mais comum de CMV distorcido); depois as perdas (validade, quebra, furto reduzem o estoque sem gerar venda); depois o preço de compra (fornecedor aumentou e você não repassou); e por último a precificação. Atacar o preço de venda antes de conferir os três primeiros é tratar o sintoma com o termômetro errado.

CONCLUSÃO: A CONTA É SUA

CMV não exige contador, sistema caro nem curso de finanças. Exige três números e uma contagem honesta: estoque inicial, compras, estoque final. Subtrai, divide pela receita, anota. Pronto: você sabe quanto de cada real vendido vai embora repondo prateleira, e quanto sobra de verdade para o resto da empresa.

O plano de ação cabe em três linhas. Conte o estoque no último dia deste mês. Feche o CMV com a calculadora e anote o percentual na pasta 📁 07.09. Repita todo mês: em um trimestre você terá uma tendência, e tendência de CMV é o alarme de incêndio mais barato que existe.

Para fechar o painel financeiro, o próximo passo natural é o EBITDA, que mede o que a operação inteira gera de caixa. E os demais guias estão na categoria Financeiro.

Produzido por Roberto Machado com assistência de IA e revisão editorial.

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